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Setor eólico vislumbra crescimento acelerado nos próximos anos

Otimismo é baseado em movimentos recentes, como a retomada de contratações

28 de outubro de 2026, às 07:00

Setor eólico
Foto: JF Diorio/Estadão

Luciana Collet

O setor eólico brasileiro viveu nos últimos anos uma forte crise, tendo em vista o baixo volume de projetos viabilizados entre 2022 e 2024, que estremeceu a cadeia do setor e levou fabricantes de equipamentos a reduzir ou até interromper suas operações no País. No entanto, esse momento recente está ficando para a história, segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum. Para ela, o aumento anual de capacidade instalada no futuro tende a ser ainda maior do que os melhores anos já registrados.

“O nosso recorde de instalação foi em 2023, quando instalamos 4,8 gigawatts (GW). Foi excepcional naquele ano, mas nossa média era de 3 GW a 4 GW. Virando 2030, vamos pra 6 GW a 7 GW anuais, tranquilamente”, disse a jornalistas, durante o Brazil Windpower, evento do setor eólico que ocorre semana em São Paulo.

O otimismo está baseado nos movimentos recentes, como a retomada de contratações, a partir do segundo semestre de 2025, e as perspectivas favoráveis com iniciativas de descarbonização da indústria, estímulo ao setor de data centers e de hidrogênio, além da eletrificação da economia.

Ela explica que a indústria eólica tem um ciclo de dois anos, ou seja, uma decisão tomada hoje surte efeito dois anos depois. “Este ano de 2026, em termos de chão de fábrica e também de construção de parque eólico, ainda percebemos a crise, por outro lado, na segunda metade de 2025 e neste ano de 2026 já estamos vendo a retomada das contratações”, disse. De acordo com a executiva, a partir deste semestre já há algum movimento na indústria e a tendência é de curva crescente entre 2027 e 2028.

Elbia Gannoum avalia que, com as regulamentações ainda em elaboração para estímulo ao setor de data center, do mercado de carbono e a efetiva implantação do Nova Indústria Brasil (política de neoindustrialização do governo Lula), o setor eólico deve experimentar um crescimento “exponencial”.

Ela lembra que a perspectiva é de que demandas por aumento da oferta de energia elétrica no Brasil sejam atendidas sobretudo pelas fontes eólica e solar. “Principalmente nas contratações do mercado livre, são esses contratos que saem”, disse.

País precisa destravar potencial existente

Também presente no evento, o assessor sênior do Global Wind Energy Council (GWEC), João Galamba, lamentou que no ano passado o Brasil adicionou apenas 2,3 GW de nova capacidade, a despeito da carteira de projetos prontos a construir. Novas obras esbarram no acesso à rede de transmissão, nos cortes de geração (curtailment) e no ritmo lento de crescimento da demanda, disse.

“O desafio do Brasil não é criar a indústria, é destravar a força que já existe. E obstáculo mais urgente são as redes”, afirmou, citando projeções segundo as quais a redução do curtailment ocorreria apenas a partir de 2030.

Ele anunciou que a instituição tende a intensificar sua atuação no Brasil nos próximos dois anos para colaborar na expansão do setor. “Um dos nossos principais objetivos é, justamente, acelerar essa recuperação e encurtar esse prazo, reduzir o curtailment mais cedo e devolver à eólica brasileira a condição de investimento”, disse.

A intenção é apoiar as autoridades brasileiras para acelerar a instalação de novas linhas de transmissão e na busca por otimização do uso da infraestrutura de redes existentes, por meio da instalação de novas tecnologias como a Dynamic Line Rating (DLR), que libera capacidade de redes que fica ociosa.

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