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Ambipar tinha R$ 700 milhões em CDBS do Master dois meses antes da liquidaçãoo do banco

Empresa diz que trocou os papéis por pré-precatórios federais, que somavam R$ 1,2 bilhão, e encerrou 2025 com caixa de R$ 2,5 bi

14 de julho de 2026

Mariana Ribas e Cynthia Decloedt

Até dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, a Ambipar tinha cerca de R$ 700 milhões de CDB’s da instituição financeira, afirmam fontes próximas à empresa de gestão ambiental. Em documento divulgado pela companhia na última quinta-feira, 9, a Ambipar informa que carregava cotas de um fundo de CDBs de instituições financeiras até setembro, mesmo mês em que o Banco Central rejeitou a proposta de aquisição feita pelo Banco de Brasília para aquisição do Master.

Estes investimentos em CDBs foram posteriormente substituídos no fundo por pré-precatórios federais que, conforme o documento que está no site da empresa, contabilizavam R$ 1,2 bilhão a valor de face em setembro e dezembro de 2025. A empresa, em recuperação judicial, afirma ter encerrado o ano passado com um caixa de R$ 2,5 bilhões.

Pré-precatórios são uma fase anterior à emissão oficial de um precatório, isto é, direitos a créditos contra a Fazenda não reconhecidos oficialmente. Essa posição de R$ 1,2 bilhão considera o valor de face dos papéis, portanto, não é imediatamente possível saber quanto de fato valem. De acordo com fontes próximas, a quebra do Master acentuou os problemas da Ambipar e os pré-precatórios eram a única solução. “Era isso”, diz um interlocutor.

Além disso, a Ambipar informa que tinha R$ 247 milhões em investimento em instituição financeira que está em processo de liquidação, sem especificar qual, e mais de R$ 500 milhões em ações da Emae. Com esse investimento, a Ambipar tornou-se detentora de uma fatia de 23% no capital social da empresa. A Ambipar informa que durante o segundo trimestre de 2026 negociou essa fatia na Emae e que, neste momento, não tem mais qualquer investimento na companhia.

Esta é a primeira vez que números sobre o caixa da Ambipar se tornam públicos. Antes, os números do caixa da Ambipar tinham sido entregues em sigilo à Justiça do Rio de Janeiro, no pedido de recuperação judicial. As informações não estão auditadas.

Segundo os dados que estão no site da companhia, havia R$ 1,2 bilhão em recursos alocados em fundos de investimento em créditos judiciais, os quais, de acordo com explicações que constam no mesmo material, estavam anteriormente em cotas de fundos de CDBs.

Caixa

Em recursos líquidos, ou seja, caixa e equivalente de caixa, a Ambipar tinha R$ 387,9 milhões em setembro, enquanto R$ 227,3 milhões estavam em bancos de primeira linha. Essas posições se alteraram em dezembro para R$ 250,8 milhões e R$ 44,4 milhões, respectivamente, somando R$ 295,1 milhões. O documento mostra também que, em fevereiro de 2026, a posição em caixa e equivalente de caixa junto aos investimentos em bancos de primeira linha estava em R$ 280,135 milhões. A Ambipar estima que ao final deste ano, essa posição alcance R$ 468 milhões.

Os números relatados mostram também R$ 237 milhões em investimentos mantidos em uma instituição atualmente em processo de liquidação. A Ambipar explica esse processo não havia sido iniciado em dezembro de 2025. A posição não se alterou de setembro para dezembro.

Quando a Ambipar entrou com pedido de proteção na Justiça contra credores, uma das principais questões era o que havia acontecido com o caixa da Ambipar. Na ocasião, a Broadcast revelou que os bancos estavam na caça do caixa de Ambipar e haviam identificado apenas cerca de R$ 400 milhões.

Analistas também questionavam uma mudança abrupta no caixa da companhia, já no segundo trimestre de 2025, no último balanço que foi divulgado. A empresa mostrava um caixa de R$ 4,7 bilhões, sendo que R$ 2 bilhões apareciam dentro de uma estrutura de fundo de investimento em direito creditório (FIDC), sem esclarecimentos.

Procurada, a Ambipar optou por não comentar.

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