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Por enquanto, analistas avaliam que impacto sobre os ativos por conta da corrida eleitoral no Brasil está em segundo plano
11 de maio de 2026
Por Caroline Aragaki, Maria Regina Silva e Luís Eduardo Leal
Apesar da recente realização de lucros no Ibovespa, os gestores de renda variável ainda apostam que o índice conseguirá alcançar o nível dos 200 mil pontos em 2026. O primeiro gatilho é o fim do conflito no Oriente Médio, considerando que este é o foco do investidor estrangeiro, responsável por mais de 60% do fluxo de ações na B3. Uma dissipação na tensão geopolítica faria com que o preço do petróleo caísse, ou ao menos se estabilizasse, ajudando no recuo das expectativas de inflação e, consequentemente, da Selic. Já o xadrez político-eleitoral ainda é muito ambivalente para se fazer apostas duradouras.
“O mais importante, hoje, é o que vai acontecer com a guerra. Para entender o desempenho da Bolsa do Brasil, é muito importante ver o que o investidor estrangeiro está fazendo”, afirma o superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, Gilberto Nagai.
O UBS BB nota que, atualmente, 62% do fluxo que é negociado na B3 em equities vem de investidores estrangeiros. “Imagino que um Ibovespa a 230 mil pontos ou 240 mil pontos não é nada impossível, mas quem vai mover a Bolsa é o investidor estrangeiro”, avalia o responsável pela área de trading do UBS BB, Cristiano Cunha Soares, cravando que o cenário depende dos desdobramentos do conflito geopolítico.
Na mesma linha, Nagai considera que os 200 mil pontos estão próximos caso a guerra acabe antes das eleições de outubro, abrindo espaço para correção do petróleo – cenário base da SulAmérica atualmente, apesar das idas e vindas de noticiário envolvendo o conflito. “Assim, retomaria o trade que o investidor estrangeiro estava fazendo antes do conflito: o de queda de juros”, afirma o superintendente de renda variável, acrescentando que os gestores de ações são obcecados com a taxa de juros, porque ela mexe com a taxa de desconto. Essa última representa o retorno mínimo exigido pelo investidor para aplicar nas ações de determinada empresa, considerando risco e alternativas de investimento. “A cada um ponto porcentual de taxa de desconto, a estimativa é de que o valor de uma empresa cresça de 12% a 15%”, calcula Nagai.
Sendo um dos únicos países do mundo a cortar juros em 2026, o Brasil também chama a atenção por ter liquidez elevada em relação a outros mercados emergentes, além de ser um exportador líquido de petróleo – que já se valoriza 80% só neste ano.
“O Brasil é um ganhador relativo na crise política ainda em andamento no Oriente Médio”, afirma o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz. Além da exposição da Bolsa brasileira ao setor de energia, com a Petrobras e as juniores acompanhando a progressão do petróleo desde o início de março, o fato de o Brasil ser um exportador líquido da commodity traz efeitos positivos para o balanço de pagamentos e mesmo para as contas fiscais, acrescenta o economista.
Segundo Kautz, o quadro externo, em especial os desdobramentos em torno do Oriente Médio e da interrupção do Estreito de Ormuz, tende a manter proeminência nas decisões globais de investimento. E, considerando o excesso de prêmios de risco que foram se acumulando nos contratos futuros de petróleo, uma vez superado o pior momento da crise, o barril da commodity pode regredir rapidamente para a faixa de US$ 80, mas não para a de US$ 60 em que estava antes do conflito, avalia.
“O nível de 200 mil pontos é factível pelo apetite do investidor estrangeiro”, reitera o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Berttotti, que, assim como Kautz, nota entrada de recursos a partir do dólar abaixo de R$ 5,00.
A duração do conflito no Irã ainda é desconhecida, mas parte do mercado considera que o presidente dos EUA, Donald Trump, já começa a ter pressa de encerrar a guerra, principalmente com as eleições de meio de mandato cada vez mais próximas e o risco de perder apoio político. Tanto que, em 15 de abril, Trump prometeu que os preços da gasolina estarão muito menores até as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
“Trump subestimou essa guerra, nem ele esperava que duraria tanto assim e isso não está sendo bom para sua própria popularidade. Afinal, acaba mexendo com a principal commodity do mundo, o petróleo, do qual a Ásia e a Europa são extremamente dependentes. Por isso ele fala muito mais de um cessar-fogo agora”, avalia Bertotti, da Fami Capital.
Caso o cenário base não se confirme e a guerra perdure para além de outubro, a tendência, segundo profissionais ouvidos pela Broadcast, é a de que haja uma realização de lucros ainda mais intensa, puxada pela aversão a risco, com possibilidade de o índice cair abaixo dos atuais 180 mil pontos.
A toada de realização de lucros já marcou presença nos últimos pregões. Desde que renovou máxima histórica intradia, na casa de 199 mil pontos, e de fechamento, aos 198,6 mil, na mesma sessão de 14 de abril, o Ibovespa entrou em modo de correção: obteve apenas três ganhos no intervalo de 13 sessões desde o mais recente recorde, há três semanas.
Para Kautz, da EQI Investimentos, a realização de lucros na Bolsa é um movimento natural após uma escalada extensa, que aproximou o Ibovespa relativamente rápido da linha psicológica dos 200 mil pontos, Essa é uma alta que, para além de níveis gráficos, reflete fundamentos favoráveis, como a exposição da Bolsa ao setor de energia, em especial Petrobras, e com valuations que ainda se mostram atrativos ao ingresso de capital estrangeiro.
Antes mesmo das eleições nos EUA, o Brasil passará pelo pleito em outubro. Este deve ser o segundo gatilho para a Bolsa doméstica. Por ora, o cenário político local não está fazendo preço de maneira firme, pois as pesquisas ainda mostram uma disputa acirrada, perto de 50% a 50%.
“O mercado só vai tomar alguma posição quando achar que tem uma tendência mais clara. Agora ainda nem temos os palanques definidos, tem muita coisa para acontecer”, crava Soares, do UBS BB.
Kautz, da EQI Investimentos, considera que a aproximação do calendário eleitoral pode implicar uma volatilidade até menor do que se antecipa, na medida em que o estrangeiro, grande indutor da recente progressão do Ibovespa, não acompanha o noticiário político no “detalhe”.
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