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Banco Central projeta IPCA acumulado em 12 meses até o fim do terceiro trimestre do ano que vem em 3,3%
18 de março de 2026, às 21:01
Por Marianna Gualter e Cícero Cotrim
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75%, ao ano, como previam 25 de 33 de casas consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão do colegiado foi unânime.
Na reunião anterior, de janeiro, o Copom já havia indicado que começaria a diminuir os juros neste encontro. No mercado, havia dúvidas sobre a magnitude do primeiro corte, por causa da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
No fim da tarde desta quarta-feira, a curva de juros indicava cerca de 90% de chance de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, contra 10% de probabilidade de manutenção.
Essa foi a primeira redução dos juros em quase dois anos. A autoridade monetária cortou a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano.
Antes do corte realizado nesta quarta-feira, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024. Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Copom) revisou sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2027, de 3,2% para 3,3%. Esse é o horizonte relevante da política monetária na última reunião do colegiado, em janeiro.
A projeção segue ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas indicam que a Selic estará em 12,25% no fim deste ano e vai cair a 10,50% no fim de 2027.
Nesta quarta-feira, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15,0% para 14,75%, como previam 25 e 33 de casas consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão do colegiado foi unânime.
Ao justificar a decisão, o colegiado disse entender “que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.
A cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções diminuiu de R$ 5,35 para R$ 5,20. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,0% na reunião anterior para 4,10% agora. Para 2027, permaneceu em 3,80%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 passou de 3,4% para 3,9%. Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (3,5% para 3,7%) e no terceiro trimestre de 2027 (3,1% para 3,3%). A projeção para os preços administrados passou de 3,0% para 4,3% este ano e de 3,3% para 3,2% no horizonte relevante.
Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, no cenário de referência, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2026 e de 2027.
Com a redução da Selic para 14,75%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,51%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Turquia, com 10,38%. A Rússia aparece em terceiro lugar, com 9,41%, seguida pela Argentina, também com 9,41%, e o México (5,39%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil, que não estimula, nem deprime a economia, é de 5,0%.
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