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Guerra prolongada no Irã pode levar petróleo a US$ 180

Daniel Osorio, especialista em Energia da Hedgepoint Global Markets, avalia que esta já é a maior crise no setor petrolífero da História

11 de junho de 2026

Por Isabella Pugliese Vellani e Pedro Lima

A guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã, que voltou a se intensificar nas últimas horas e mantém o Estreito de Ormuz fechado, impõe riscos de estoques de petróleo cada vez mais baixos, podendo levar os preços da commodity para o patamar de US$ 180 por barril nas próximas semanas e demandar dos principais bancos centrais do mundo uma intervenção na tentativa de frear o avanço inflacionário. De acordo com analistas consultados pela Broadcast, mesmo que haja um acordo de paz, os preços do petróleo devem permanecer elevados, já que é esperado um tempo prolongado até que o mercado se normalize.

O chefe da mesa de Energia da Hedgepoint Global Markets, Daniel Osorio, avalia que esta é a maior crise no setor petrolífero da História, levando em consideração a demanda recorde, que continua crescendo, e a retirada de cerca de 20% da oferta do mercado. “Nunca tivemos um problema como este antes. Cada dia que passa representa mais 20 milhões de barris que precisamos compensar”, explica.

No final de maio, Neil Chapman, vice-presidente sênior da ExxonMobil, uma das principais petrolíferas do globo, também alertou quanto ao cenário inédito que se apresenta. Em conferência em Nova York, ele disse que os níveis de petróleo podem chegar em pontos realmente muito baixos em duas ou três semanas e, quando isso acontecer, os preços devem disparar, fazendo que, possivelmente, o Brent em cargas físicas alcance a faixa de US$ 150 a US$ 160 por barril.

Segundo Osorio, o quadro pode ser ainda mais pessimista e a marca de US$ 180 por barril não está descartada de ser alcançada diante do ambiente deteriorado por falta de perspectivas de resolução do imbróglio geopolítico. A situação parece ter se agravado ainda mais após os EUA terem lançado, no final de semana, bombardeios contra sistemas de defesa e vigilância iranianos. Teerã prometeu uma resposta pesada aos ataques. A queda de um helicóptero militar dos EUA próximo ao Estreito de Ormuz levou o presidente Donald Trump a anunciar novos ataques contra o Irã, realimentando os receios de uma escalada descontrolada do conflito.

Para Osorio, a economia global enfrentará um ponto crítico a partir de julho, quando começam as compras de commodities de energia para aquecimento durante o inverno no Hemisfério Norte. A expectativa é de que a inflação aumente, principalmente nas economias que não são produtoras de petróleo, e que os bancos centrais comecem a intervir. No entanto, Osorio diz que a maior preocupação é que os bancos centrais podem não ser capazes de lidar sozinhos com isso. “Aumentar os juros não reduz a inflação quando se trata de preços de commodities. E, neste caso, a pior de todas, que é a energia. As únicas duas maneiras de reduzir o preço da energia são mais oferta ou menos demanda. Então, precisa-se essencialmente fechar a economia para ver menos demanda”, diz.

A analista sênior do Swissquote Bank, Ipek Ozkardeskaya, avalia que a duração do conflito seguirá como o principal fator para os preços da commodity. Segundo ela, caso não haja avanços concretos rumo a uma solução nas próximas três ou quatro semanas, o Brent poderá voltar à faixa de US$ 120 por barril. Acima desse nível, no entanto, ganharia força a destruição de demanda, à medida que o encarecimento da energia afete o crescimento global. Para a especialista, um conflito prolongado tende a manter o petróleo oscilando entre US$ 90 e US$ 120 por barril, enquanto um acordo de paz poderia levar os preços rapidamente para abaixo de US$ 80.

Embora os mercados já apresentem sinais de fadiga geopolítica após meses acompanhando os desdobramentos da guerra, Ipek aponta que a queda dos estoques globais de petróleo pode voltar a alimentar preocupações com escassez de oferta. Segundo ela, esse fator tem potencial para superar a acomodação dos investidores em relação às notícias do conflito e fornecer novo impulso às cotações da commodity.

Para David Oxley, economista-chefe de Clima e Commodities da Capital Economics, no entanto, o cenário não deve ser tão degradante. Em sua avaliação, o petróleo provavelmente se manterá em torno dos seus níveis atuais, entre US$ 90 e US$ 95, durante o terceiro trimestre deste ano, mesmo que as coisas comecem a melhorar rapidamente. Segundo ele, supondo que não haja retrocessos na diplomacia, é possível que o petróleo volte a cair para cerca de US$ 80 ou US$ 85, ainda que os riscos estejam voltados para cima.

O grande alerta, na avaliação de Oxley, se concentra no tempo até que os níveis de estoque se normalizem após a reabertura do Estreito de Ormuz. “Quando os preços estão muito altos, a formação de estoques é mais lenta. Se ficar claro que a produção voltou a operar com força, haverá uma busca por oportunidades para acumular estoques”, pondera.

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