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Indústria projeta melhora gradual nos volumes, mas preço e custos seguem como pontos de atenção
22 de abril de 2026
Por Júlia Pestana
O ano de 2025 foi uma “aberração” para a indústria cervejeira no Brasil, nas palavras do presidente da Ambev, Carlos Lisboa. O diagnóstico foi compartilhado por outras empresas do setor que também lidaram com volumes bastante pressionados. Para este ano a expectativa é outra: com a Copa do Mundo e a previsão de temperaturas mais elevadas, a indústria já projeta melhora gradual nos volumes, embora preço e custos de produção sigam como pontos de atenção.
A esperança surge após o setor atravessar um ano bem complexo. Foram vendidos 14,75 bilhões de litros de cerveja em 2025, queda de 5,1% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). Já Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula queda de 4,7% na produção de bebidas alcoólicas, na mesma base de comparação.
Apenas em dezembro, mês primordial para o segmento devido ao alto consumo ligado a festividades, houve queda de volume de 5% na comparação anual. Segundo bancos, esse foi o pior mês de dezembro desse indicador desde 2004.
Para o BTG Pactual, a queda surpreende porque as condições de tempo foram mais favoráveis no fim do ano. “Não se engane: o mercado brasileiro de cerveja está tão fraco quanto conseguimos lembrar, sendo comparável apenas ao período da grande crise econômica brasileira de 2014 a 2016”, afirmam analistas.
O clima mais frio durante o ano foi o principal detrator do desempenho das fabricantes de bebidas, combinado a uma renda mais restrita e à redução das ocasiões de consumo. Vale destacar que o IBGE não divulga mais os dados de produção de bebidas alcoólicas por tipo de produto. Mas, historicamente, a cerveja representa cerca de 90% do total.
Já neste ano, a história é outra. Além do engajamento do brasileiro com o tão esperado hexa, a Copa do Mundo é tradicionalmente uma ocasião de consumo que impulsiona a venda de cerveja. Estima-se que, durante o período do evento esportivo, cerca de 12,5% dos gastos da cesta de consumo sejam destinados à cerveja, segundo a NielsenIQ. Mais do que elevar volumes, dados da Scanntech mostram que o fluxo em lojas cresce na véspera das partidas e o ticket médio das categorias relacionadas aumenta cerca de 24%.
Além disso, a edição deste ano reúne fatores que tendem a favorecer o consumo, como jogos à noite e em fins de semana, maior duração do torneio e maior propensão do público a assistir às partidas em casa. “Será a maior Copa do Mundo de todos os tempos, com mais jogos, mais seleções e maior duração, o que amplia o potencial de impacto para a indústria”, disse o diretor de estratégia da Ambev, Gustavo Castro.
Em relação a Copas anteriores, o gerente de Inteligência de Dados da Scanntech, Matheus Tavares, destaca que, em 2014, com jogos no horário do almoço e sede no Brasil, o consumo foi mais voltado à rua, enquanto, em 2022, partidas de madrugada ou pela manhã acabaram limitando os encontros em grupo. Já neste ano, o público deve se dividir entre bares e assistir aos jogos em casa.
Dados da Worldpanel mostram que o consumo de cerveja no Brasil já é majoritariamente doméstico, com cerca de 57,2% ocorrendo dentro de casa, ante 42,8% fora do lar. “O bar acaba sendo o estádio do brasileiro nesse período, mas o consumo em casa também ganha força, impulsionado por plataformas de conveniência como o Zé Delivery”, afirma Castro.
A Copa deste ano ocorrerá em junho e julho e deve ajudar a sustentar o consumo em um período tradicionalmente mais fraco para o setor. “O meio do ano costuma ser um período de ‘barrigada’ para o mercado cervejeiro, em função do clima mais frio”, diz Cristiane Rosa, head de marketing e consumer insights da Petrópolis, dona da marca Itaipava.
Mudança no consumo
A mudança no comportamento do consumidor também é destacada pela indústria. “As pessoas não estão bebendo menos, mas bebendo melhor”, afirma Mauro Homem, vice-presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do Grupo Heineken.
Segundo ele, há uma busca crescente por produtos mais alinhados ao momento, ocasião e estilo de vida, o que tem levado a uma ampliação do portfólio, com opções sem álcool, de menor teor calórico e bebidas funcionais. Entre a geração Z, 30% afirmam preferir bebidas saudáveis, enquanto 1 em cada 5 já opta por alternativas com baixo ou nenhum teor alcoólico, de acordo com a NielsenIQ.
Ponderações
O setor, no entanto, avalia que a Copa do Mundo não será uma tábua de salvação para o ano, mas sim um impulso pontual de volume. Em suma, deve haver uma recuperação frente ao ano passado, mas de forma gradual. A Petrópolis estima retomada de pelo menos 1% no volume do mercado.
O IPCA-15 de janeiro mostra que os preços da cerveja subiram 5,4%, acima dos 4,5% da inflação geral. “Isso reforça a ideia de que a categoria já ultrapassou o pico do estresse promocional e entrou em um ambiente de preços mais racional”, diz o Citi.
Ainda assim, o movimento não se traduz em melhora dos volumes. “O debate central mudou decisivamente da guerra de preços para a fraqueza dos volumes. Embora o poder de precificação esteja se estabilizando, a elasticidade da demanda permanece fraca e a visibilidade da recuperação até 2026 ainda é limitada”, afirma a analista do Citi, Renata Cabral.
O Bank of America (BofA) também destaca que, neste primeiro trimestre do ano, os custos no mercado à vista de cerveja no Brasil subiram 12% em relação ao trimestre anterior e avançaram 4,4% na comparação anual, puxados principalmente por alumínio e grãos.
Por ora, o impacto é limitado pela política de hedge de 12 meses. No entanto, o banco alerta que, se os preços das matérias-primas se mantiverem elevados, a inflação de custos pode chegar a cerca de 10% em 2027.
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