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Varejo apoia jornada 5×2, mas defende modelo horista, diz presidente da ABRAS

Contratação de horista pode evitar alta de custos e preservar a competitidade, especialmente, entre empresas de pequeno porte

29 de abril de 2026

Por Júlia Pestana

O varejo alimentar apoia a adoção da jornada 5×2, mas defende a criação de um modelo de contratação por hora para evitar aumento de custos e preservar a competitividade, especialmente entre empresas de menor porte, disse ao Broadcast o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi.

Segundo o empresário, estudos do setor indicam que o 5×2 é viável do ponto de vista operacional, mas a combinação com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem mecanismos de flexibilização, pode pressionar a estrutura de custos das empresas.

A principal proposta da entidade é a implementação do chamado modelo “horista”, no qual o trabalhador é remunerado por hora, mantendo todos os direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias e FGTS.

De acordo com Galassi, o formato permitiria ajustar as escalas à demanda das lojas e reduzir a necessidade de contratações adicionais. “Você ganha por hora, trabalha por hora, mas com todos os direitos. Isso traz flexibilidade para o colaborador e para a empresa”, afirmou.

A proposta é defendida pelo setor no Congresso por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que já reuniu 171 assinaturas, mas ainda não avançou para votação.

A tramitação do tema, no entanto, ganhou novos desdobramentos nesta semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a comissão para discutir mudanças na escala de trabalho será instalada amanhã, às 14h, com relatoria do deputado Léo Prates (Republicanos-BA). Motta também disse que pretende construir “o melhor texto possível para redução da jornada sem redução salarial”.

Apesar do avanço institucional, Galassi avalia que a mudança na jornada, sem a criação de um modelo mais flexível, pode ter impacto relevante sobre o setor, espedcialmente entre pequenos e médios varejistas, que operam com equipes enxutas. “Com equipes pequenas, a conta não fecha. Em muitos casos, será necessário contratar mais um funcionário, o que encarece a operação”, disse.

Na avaliação do empresário, esse movimento pode, no limite, favorecer empresas maiores, com maior capacidade de diluir custos e reorganizar jornadas. “Quem tem 100 funcionários consegue ajustar com horas extras. Quem tem três não consegue”, afirmou.

Além disso, Galassi avalia que o modelo horista poderia ampliar a formalização ao atrair trabalhadores hoje no mercado informal, como motoristas de aplicativo e entregadores.

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