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Eleições devem pesar mais no segundo semestre, com cenário entre apreciação e volatilidade
28 de abril de 2026
Por Antonio Perez
Apesar da melhoria dos termos de troca e o diferencial de juros elevado sustentarem o real no curto prazo, há divergências sobre o espaço para queda adicional do dólar nos próximos meses, em meio à proximidade das eleições presidenciais.
A perspectiva da maioria dos analistas ouvidos pela Broadcast é a de que os impactos das eleições sobre a taxa de câmbio sejam mais fortes e perceptíveis a partir do segundo semestre. Uma ala vê chance de nova rodada de apreciação do real, caso se confirme a competitividade da oposição na corrida presidencial, ao passo que outra alerta para os riscos de depreciação da moeda, em razão do aumento da volatilidade típico de períodos eleitorais.
Marcelo Fonseca, economista-chefe do Grupo CPVAR, vê continuidade da tendência de apreciação do real. Ele argumenta que o quadro externo vai seguir favorável a moedas de países produtores e exportadores de energia, como o Brasil, uma vez que, mesmo em caso de um acordo de paz no Oriente Médio, os preços do petróleo não vão voltar aos níveis vistos no pré-guerra.
“Os efeitos do conflito sobre o mercado energético vão demorar a se dissipar, porque houve disrupção na produção e nos modais logísticos, além do aumento do prêmio de risco geopolítico”, afirma Fonseca. “Se o quadro de disputa eleitoral acirrada se confirmar, o real pode se apreciar e ter um desempenho superior ao dos pares.”
Para Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, a perspectiva para o real permanece “construtiva”, com algum espaço para uma apreciação adicional da moeda brasileira no curto prazo, sobretudo se o dólar se enfraquecer mais globalmente e não houver aversão ao risco.
“Mas não há espaço para tanto otimismo daqui para a frente. O movimento maior e mais fácil de apreciação do real já ficou para trás. O risco político vai começar a ter mais relevância no segundo semestre, à medida que as eleições se aproximam”, afirma Abadia, acrescentando que o ciclo de redução da taxa Selic nos próximos meses, mesmo com a postura gradual e cautelosa do Banco Central no manejo da política monetária, tende a “erodir gradualmente a atratividade do carry trade”, disse ele referirindo-se a estratégia de tomar empréstimo em países baixa taxa de juros para aplicar em outro país, com juros altos.
O diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, trabalha com a continuidade da tendência de apreciação do real, embora em “ritmo mais moderado”, uma vez que a taxa de câmbio já se encontra perto do nível de “equilíbrio de curto prazo”. Oliveira relata que a avaliação sobre o Brasil foi muito positiva durante os encontros de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial neste mês.
“O diagnóstico foi amplamente convergente. O Brasil tem se destacado como destino de alocação em ambiente geopolítico global incerto e fragmentado”, afirma Oliveira, ressaltando que, além da fraqueza global do dólar, fatores como “termos de troca, diferencial de juros e compressão de prêmio de risco” explicam o desempenho recente da moeda brasileira.
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