Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
Cotação do dólar rondava R$ 6 há um ano e passou a girar em torno de R$ 5, fazendo produtos embarcados valerem menos
20 de maio de 2026
Por Eduardo Laguna
A valorização cambial amorteceu o choque dos preços internacionais provocado pelos conflitos no Oriente Médio, mas, ao mesmo tempo, tem comprometido os resultados de empresas exportadoras. A cotação do dólar, que um ano atrás rondava os R$ 6, passou a girar em torno de R$ 5. Isso significa que os produtos exportados pelo Brasil valem menos em reais do que os exportadores previam quando fecharam preços com clientes no exterior.
O crescimento de 9,2% mostrado pelas exportações brasileiras desde o início do ano vira uma queda de 2,8% após a conversão dos valores exportados com base na cotação média do dólar em cada mês. A rentabilidade dos exportadores brasileiros, por sua vez, recuou 7,7% no acumulado de janeiro a abril, conforme mostra levantamento feito a pedido da Broadcast pela Funcex, fundação que realiza pesquisas e estudos sobre comércio exterior. Não adiantou o aumento médio de 2,5% nos preços dos produtos exportados, nem a ligeira redução, de 0,9%, no custo de produção.
“A elevação dos preços de exportação, combinada com a redução do custo de produção, não foi suficiente para compensar o impacto negativo da valorização cambial sobre a rentabilidade”, explica Miguel Lins, vice-presidente da Funcex.
Empresários da indústria ouvidos pela Broadcast dizem que é difícil repassar o custo cambial porque os preços nos mercados internacionais estão pressionados pela concorrência dos produtos chineses. “Quem importa não aceita um aumento de preço em dólar”, comenta Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, entidade que representa a indústria de calçados.
A vantagem dos produtores de comprar dólares a preço mais baixo para pagar as importações foi em grande parte perdida pela forte alta no valor dos insumos e do frete no transporte marítimo, na esteira do bloqueio no Estreito de Ormuz. Nos cálculos relativos a abril, os índices da Funcex já mostram um aumento de 1,3% no custo de produção frente ao mesmo mês do ano passado.
Presidente da Abiplast, a associação que representa a indústria do plástico, José Ricardo Roriz observa que, ao mesmo tempo em que ganham menos pelos produtos vendidos ao exterior, os exportadores foram surpreendidos pela disparada no valor dos insumos petroquímicos, cujo preço dobrou desde a escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Como consequência, as empresas são obrigadas a contratar mais crédito a juros altos para pagar as despesas do dia a dia.
“São os dois maiores problemas que temos hoje. De um lado, o câmbio sobrevalorizado afeta muito as exportações e dá vantagem às importações de produtos concorrentes. De outro, há o custo cobrado de quem precisa acessar linhas de capital de giro”, diz o presidente da Abiplast.
O novo nível do câmbio não inviabilizou, em geral, os produtos brasileiros no exterior, conforme relatos da indústria. Porém, ficou mais difícil competir em mercados internacionais.
Segundo dados da Funcex relativos ao mês passado, apenas as exportações de petróleo, gás natural e derivados tiveram aumento de rentabilidade na comparação com abril de 2025, num reflexo da disparada dos preços das commodities energéticas. Na parte de baixo da tabela, móveis, calçados e vestuário estão entre os setores em que a rentabilidade das exportações mais caiu.
“O dólar depreciado facilita bastante a importação e dificulta a exportação. Esta é a regra do jogo”, pontua Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, entidade que representa as usinas produtoras de aço. Ele acrescenta que o excesso de capacidade de produção de aço no mundo leva a um cenário de grande concorrência e, consequentemente, de queda dos preços de produtos siderúrgicos nos mercados internacionais, comprometendo assim a rentabilidade dos exportadores.
Veja também