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Para Moody’s, crescimento na carteira de crédito dos bancos deve ser de 8% em 2026 ante 10% apurados no ano passado
18 de maio de 2026
Por Caroline Aragaki
Enquanto 2025 foi marcado por um crescimento contínuo do volume de crédito via mercado de capitais, o fim do primeiro trimestre de 2026 mostra desaceleração intensa nas emissões de debêntures e instrumentos de renda fixa em geral, acendendo sinal de alerta para o mercado de crédito. Economistas e analistas de bancos avaliam que o acesso a crédito em geral denota perda de tração, enquanto a inadimplência do Brasil bate recordes desde janeiro do ano passado.
O Daycoval notou que as emissões reais no mercado de capitais recuaram 13,5% em fevereiro e 12,0% em março, na média móvel trimestral. Economista da casa, Antonio Ricciardi disse à Broadcast que o mercado de capitais costuma antecipar, em alguns meses, as concessões de crédito livre de bancos, conforme vislumbrado na metodologia estatística chamada de teste de Granger.
Na mesma linha, o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, considera que o mercado de capitais é um bom termômetro para o que está acontecendo com o crédito geral na economia. Segundo ele, a partir de março houve uma mudança importante do mercado de linha bancário e não bancário – ou seja, visto no mercado de capitais – no sentido de tornar o acesso ao crédito mais difícil.
“Tanto investidores quanto a indústria bancária estão mais cautelosos. Quando você fica mais cauteloso, acaba concedendo menos crédito, independente de preço”, afirma Padovani. O economista nota que, no caso do mercado de capitais, é possível medir o nível de cautela mais claramente, pois o preço vai se ajustando: “Estamos vendo que os spreads praticados no mercado de capitais voltaram a subir”.
O crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui empréstimos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e operações com títulos públicos e privados, entre outros, caiu 0,3% em março ante fevereiro, para 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, o recuo foi puxado pelos resgates de títulos da dívida pública. O estoque de títulos da dívida pública cedeu 3,1% em março.
A estimativa da agência de classificação de risco Moody’s é a de que o crescimento na carteira de crédito dos bancos desacelere de 10% para 8% em 2026 ante 2025. Na conta, entram inadimplência elevada, cenário geopolítico conturbado, juros em nível restritivo e volatilidade eleitoral, segundo o vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings, Lucas Viegas.
Entre um ano e meio e dois anos atrás, os bancos já começaram a ter um conservadorismo maior na concessão de crédito, principalmente de produtos de maior risco, segundo o também vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings, Alexandre Albuquerque. “Os bancos têm focado mais nos clientes com longo relacionamento, mais resilientes a essas mudanças de ciclo econômico. Já entre os clientes de mais baixa renda, estão procurando ser um pouco mais conservadores na concessão de novos empréstimos”, avalia.
Para Ricciardi, do Daycoval, tanto o mercado de capitais quanto o de crédito bancário devem ter um desempenho menor em 2026 do que o esperado antes da guerra no Irã, considerando principalmente uma Selic em nível ainda elevado – que, consequentemente, leva a uma atividade econômica mais fraca.
Viegas, da Moody’s, concorda que um apetite menor do mercado pode ser refletido no crédito bancário porque a motivação pode ser a mesma: risco mais elevado. Contudo, pondera que bancos e mercado de capitais podem tomar um risco diferente. “Pode ser que o banco tenha um apetite a cumprir parte desse gap que o mercado deixou para trás. Lembrando que esse escoamento de crédito para o mercado de capitais também ocorreu porque as taxas do mercado de capitais eram muito atrativas. Eventualmente, o banco vai querer fazer o mesmo negócio, mas a outro preço”, explica.
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