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Cenário é desafiador, mas Pagbank mantém plano de expandir crédito, diz CEO

PagBank quer levar a carteira de crédito a R$ 25 bilhões até 2029, mas prevê início cauteloso com Selic ainda alta.

18 de abril de 2026

Por André Marinho

No plano estratégico de ampliar a carteira de crédito para R$ 25 bilhões até 2029, o PagBank já havia sinalizado ao mercado que o primeiro ano seria de maior parcimônia. Afinal, o Banco Central estaria apenas no início de um ciclo conservador de cortes de juros que ainda deve manter a Selic em dois dígitos por um tempo. Mas nos pouco mais de três meses desde que assumiu o comando do banco digital, o CEO Carlos Mauad admite que a frequência e a intensidade de eventos externos desenharam mais desafios do que eram esperados.

Para citar alguns, a guerra no Irã e a consequente disparada do petróleo ameaçam retardar o processo de relaxamento monetário no Brasil, com repercussões incertas para o mercado de crédito. Em paralelo, a indústria ainda enfrenta os efeitos da liquidação do Will Bank, que interrompeu o fluxo de pagamentos na cadeia de cartões emitidos pela fintech liquidada. “Tudo isso é energia gasta em assuntos não operacionais, com tempo que poderia ser usado pensando produtos, por exemplo”, lamenta Mauad, em entrevista à Broadcast.

Ainda assim, o executivo se mantém confiante em relação aos ambiciosos objetivos da companhia. Nascido como uma plataforma de pagamentos, a PagBank agora quer ir além das maquininhas e ampliar os negócios bancários. Hoje, o segmento de pagamentos ainda responde por 70% do lucro bruto da instituição financeira, comparado com 30% da divisão de banco. “Nessa perspectiva de longo prazo, a ideia é que essa divisão ganhe um equilíbrio maior que isso. Esse negócio de banking vem ganhando muito tração”, disse Mauad.

Existencial

A transição é uma demanda praticamente existencial para uma empresa que precisa lidar com concorrentes de grandes bancos, como Rede (do Itaú), Cielo (Banco do Brasil e Bradesco) e GetNet (Santander). Ter uma oferta mais completa de serviços bancários se torna fundamental para reter clientes em um ambiente de competição acirrada.

No ano passado, a carteira de crédito do PagBank cresceu 33%, a R$ 4,6 bilhões, apoiado pelas linhas de consignado (público e INSS), cartões e capital de giro. Para este ano, a instituição financeira fixou uma projeção de crescimento na faixa entre 25% e 35%, um guidance que o mercado interpretou como conservador. No entanto, a gestão garante que o pé no freio é parte do plano. “Queremos ver um ambiente macroeconômico mais estável para criar um processo de aceleração”, destaca Mauad.

O movimento inicial mais lento reflete também a evolução gradual da carteira de produtos. O banco digital está em fase de testes para a implementação do consignado privado, na esteira do programa Crédito do Trabalhador iniciado pelo governo no ano passado. A expectativa é de que a linha absorva o vácuo deixado pelo colapso do crédito atrelado à antecipação do saque aniversário do FGTS, após a edição de regras mais restritivas. Segundo Mauad, o consignado privado deve começar a ganhar tração entre o final do terceiro trimestre e o início do quarto.

A diversificação deve também mitigar a exposição da companhia aos efeitos das oscilações econômicas, que costumam influenciar o desempenho dos pagamentos. O PagBank tem como público principal micro, pequenas e médias empresas, mais sensíveis ao cenário macro. No terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, as maquininhas do grupo tiveram uma queda de quase 5% no volume movimentado (TPV), como reflexo da pressão causada pelos juros elevados. A métrica, porém, começou a se recuperar no quarto trimestre.

No começo deste ano, a deflagração da guerra no Irã provocou um choque de oferta que ameaça retardar o ciclo de corte da Selic pelo Banco Central, o que pode ter efeitos sobre os negócios do setor. Ainda assim, o PagBank se mantém confiante em relação ao plano de voo apresentado ao mercado. “Nas conversas que mantemos com investidores, procuramos mostrar que estamos entregando crescimento de lucro bruto e eficiência operacional trimestre a trimestre”, afirmou o CFO Gustavo Sechin.

Fluxo

A mensagem de solidez parece ter reverberado nos mercados nos últimos meses. Desde janeiro, a ação do PagBank acumula alta de quase 20% em Nova York, apesar da volatilidade em Wall Street – para efeito de comparação, a rival Stone tem valorização mais tímida, perto de 2%. Como resultado, o PagBank conseguiu captar R$ 1,07 bilhões em uma emissão de letras financeiras no mês passado, conforme antecipado pela Coluna do Broadcast.

A instituição financeira se beneficiou também de parte do fluxo de liquidez gerado pelo pagamento de garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), por conta da liquidação do Banco Master. “O dinheiro pago pelo FGC virou liquidez na mão do cliente e nós conseguimos atrair parte de saldo para nossos produtos de captação”, relatou Mauad.

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