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Para diretor global de moedas do Citi, Flávio Figueiredo, Brasil reúne diferentes condições que beneficiam sua moeda
22 de maio de 2026
Por Karla Spotorno
O Brasil é um dos melhores lugares para o investidor estar. A moeda brasileira reflete esse momento, sendo uma das mais atrativas entre as emergentes. A avaliação é do diretor global de moedas do Citi, Flávio Figueiredo. Ele argumenta que o País reúne diferentes condições que beneficiam o real. Com um dos melhores carry trade do mundo e bons termos de troca, Figueiredo diz que o real se beneficia tanto com cenário global ruim ou bom nesse momento e que não vê o estrangeiro preocupado com o a corrida presidencial no Brasil. “A eleição brasileira vira um fator realmente relevante depois do verão americano. Até lá, casos pontuais podem mexer com o mercado”, disse o brasileiro, que mora há 22 anos fora do País e lidera a área do banco americano, hoje presente em mais de 80 países.
Um exemplo desses casos pontuais foi a notícia da ligação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que gerou volatilidade e desvalorização do real na semana passada. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
Broadcast – O real se descolou de ativos domésticos, como os juros futuros, em meio à guerra contra o Irã. O que justifica esse movimento do ponto de vista estrutural? E o que esperar daqui para frente?
Flávio Figueiredo – Acho que vale retroagir um pouco para entender o contexto. O ano de 2026 começou com os investidores globais tendo uma visão negativa sobre o dólar. O motivo principal era a leitura de que o novo presidente do Fed [Kevin Warsh] viria com um mandato de cortar juros. Isso porque ele foi escolhido pelo [presidente americano Donald] Trump, que tem sido muito enfático sobre cortar as taxas. Mesmo com a economia americana num nível forte, o mercado achava que o Fed faria um corte. Como o mercado de câmbio opera diferencial de juros e, no médio e longo prazo, crescimento econômico, o mercado vinha negativo em relação ao dólar e começou, em 2026, a investir mais fortemente em mercados emergentes.
Broadcast – Com o objetivo de ganhar no carry trade.
Figueiredo – Sim. Brasil, México, Colômbia, Turquia, África do Sul têm moedas com um carry trade favorável, uma taxa de juros alta. Então, havia muito interesse no mercado em comprar essas moedas e investir nesses mercados locais. Esse foi o principal motivo para o fluxo de capital especulativo para o Brasil ter sido muito grande antes da guerra. Logo depois de a guerra começar, o mercado começou a sair de posições de risco e comprar dólar. O real foi uma das únicas moedas que não caiu.
Broadcast – E por que o real não caiu?
Figueiredo – Porque o mercado estava operando basicamente “termos de troca”. Com a alta do petróleo, o mercado começou a sair dos países que dependem da importação do óleo, como Índia, Coreia do Sul, Japão e outros mercados na Ásia, assim como da Europa. No caso de América Latina, alguns fatores pesaram a favor das moedas locais. Um é a distância do conflito e outro é a menor dependência do óleo daquela região. O Brasil está bem posicionado, porque exporta óleo, e o diesel que importa não vem daquela região. Um terceiro fator que beneficia o real nesse cenário é o fato de os juros continuarem altos com um risco de inflação menor do que o risco de inflação nos países asiáticos. Por isso, mesmo com a aversão global a risco em meio à guerra, o real continuou forte.
Broadcast – Então, a apreciação do real não tem a ver com fatores domésticos.
Figueiredo – Não, não é doméstico. Acho que o fundamento doméstico ajuda o mercado a continuar interessado no Brasil. Se o fundamento doméstico estivesse ruim, talvez a história fosse outra. Mas o dinheiro não está indo para o Brasil por causa do fundamento doméstico. Está indo ao Brasil por causa dos termos de troca, do carry trade, que é um dos melhores do mundo. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos é de 9%. Poucos países do mundo têm esse diferencial. Olhando o fluxo de recursos no mundo, o Brasil tem sido uma alternativa mais interessante do que outros países latino-americanos e emergentes. Outro país que vem se beneficiando de fluxo de capital é a China. O mercado está long China.
Broadcast – E esse diferencial de juros deve continuar num patamar alto por bastante tempo.
Figueiredo – Exatamente. O Brasil se beneficia desse cenário. Quando o petróleo cai por causa de uma percepção de que a guerra vai acabar, a aversão a risco diminui, o mercado volta a tomar risco e o Brasil se beneficia. Quando a aversão a risco aumenta, o Brasil também se beneficia porque os juros continuam altos. Ou seja, tanto para o lado ruim quanto para o lado bom, o Brasil está se beneficiando.
Broadcast – Quais são as projeções do Citi para o real e para as moedas emergentes que competem mais diretamente com a moeda brasileira?
Figueiredo – No curto prazo, o Brasil se favorece da situação global hoje pelas razões que mencionei. Na aversão a risco, o Brasil se favorece e, na tomada de risco, o Brasil também se favorece por causa dos juros. Na nossa projeção para os próximos três meses, o real continua no atual nível, algo em torno de R$ 4,90 e R$ 5. Para os próximos 12 meses, a cotação vai sofrer mais volatilidade por causa da eleição. Nesse prazo, o real pode oscilar para um nível entre R$ 5,20 e R$ 5,30. Em prazos mais longos, é preciso entender quanto tempo a guerra contra o Irã vai perdurar, porque se demorar muito para acabar vai ter respingo na inflação, inclusive na brasileira. Apesar de não depender do petróleo que circula no Oriente Médio, o Brasil depende da importação de fertilizante. Esse fator ainda não refletiu na economia doméstica, porque o País começa a consumir mais fertilizante no segundo semestre. Então, vamos começar a sentir um pouco o efeito do preço mais alto de fertilizante na inflação brasileira no final do ano e no começo de 2027. Se afetar a inflação, o Banco Central pode vir a ter de aumentar juros. De um lado, isso aumenta o carry trade. De outro, afeta a economia. E já estamos vendo empresas sofrendo com os juros altos.
Broadcast – E a pessoa física que está muito endividada.
Figueiredo – Exatamente.
Broadcast – Considerando que eleição vai trazer volatilidade e talvez dólar mais caro, o estrangeiro já está preocupado com o noticiário da corrida presidencial?
Figueiredo – Por enquanto, não. Mesmo a eleição colombiana, que é no fim deste mês, o mercado não vinha prestando muita atenção. Casos pontuais, como vimos na semana passada no Brasil, acabam chamando atenção. Mas entendo que a eleição brasileira vira um fator realmente relevante depois do verão americano.
Broadcast – Qual operação com o real e outras moedas é interessante hoje?
Figueiredo – A moeda brasileira contra a asiática é interessante por causa dos termos de troca. O Brasil, como eu comentei, é favorecido pelos termos de troca por causa do petróleo, e as economias asiáticas são o oposto. Percebemos que quando o sentimento de risco com relação ao término da guerra deteriora, o óleo sobe e as moedas asiáticas caem.
Broadcast – O Brasil é um dos lugares para o recurso estrangeiro hoje?
Figueireiredo – Exatamente. O Brasil oferece uma taxa atrativa de retorno. A Bolsa brasileira também tem Petrobras, que é um ativo relevante. Então, o Brasil é realmente um dos lugares mais atrativos para os investidores estarem investindo hoje.
Broadcast – Quando essas condições externas se desmontarem, como fica o Brasil como destino de investimento?
Figueiredo – Antes da guerra, o Brasil também vinha apreciando por causa do apetite dos investidores estrangeiros por alternativas interessantes de rendimento alto. Mesmo cortando juros, o Brasil vai permanecer com um dos maiores diferenciais de juros em relação aos Estados Unidos, à Europa. Então, o Brasil continua sendo atrativo por causa da diferença de juros.
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