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Em um dia, foram investidos R$ 86 milhões no Tesouro Reserva

Para secretário Daniel Leal, produto tem potencial de ampliar número de investidores, hoje na casa dos 3,4 milhões

14 de maio de 2026

Por Gustavo Boldrini e Patrícia Queiroz

Em apenas um dia de operação, o Tesouro Reserva, lançado para clientes do Banco do Brasil na última segunda-feira, já registrou 11.300 operações de compra, totalizando R$ 86 milhões. Os dados são do próprio Tesouro Nacional, obtidos pela Broadcast/InvesTalk.

O novo produto tem um objetivo claro: ampliar o acesso da população brasileira ao mercado de investimentos por meio de um título de alta liquidez, sem volatilidade, funcionamento 24 horas por dia e tíquete de entrada irrisório, de apenas R$ 1,00.

Em entrevista exclusiva, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, ressaltou o potencial que o Tesouro Reserva tem para ampliar o número de investidores do Tesouro Direto, hoje na casa dos 3,4 milhões. Segundo ele, saltar para 5 milhões no curto prazo e para 10 milhões dentro de um ou dois anos deixaria o órgão “bastante satisfeito”.

Leal também afirmou que, após a longa agenda de inovações do Tesouro Direto nos últimos três anos, o foco do programa agora não são novos produtos, mas consolidar alguns “acessórios” lançados recentemente, como o Gift Card e o TD Garantia.

A seguir, principais trechos da entrevista:

Broadcast/InvesTalk: Nesta semana, foi lançado oficialmente o Tesouro Reserva. Qual é o papel desse título, que é considerado revolucionário, dentro dessa agenda de inovações do programa?

Daniel Leal: Nosso foco com o Tesouro Reserva é chegar ao pequeno investidor, menos qualificado. Trata-se de quem achava que nem poderia investir. O próprio Tesouro Selic, que já existia, era um produto com tíquete mais alto. Foi necessário entender as dificuldades desse público e como trazê-lo para o mundo dos investimentos. Para isso, foi preciso compreender, principalmente, uma questão comportamental: o que impedia esses investidores de entrar.

Broadcast/InvesTalk: E quais são essas questões que impedem as pessoas de começarem a investir?

Daniel Leal: Uma delas é a volatilidade, ou marcação a mercado, como costumamos chamar. Embora o Tesouro Selic seja um título voltado para a reserva de emergência, ele tem uma parcela precificada todos os dias e pode ter pequena variação. E quando isso acontece, acaba afugentando quem não entende o funcionamento. Essas pessoas não entendem como é a renda fixa e acham que perderam dinheiro. Quisemos mostrar que existe um produto do Tesouro que não precisa de FGC (Fundo Garantidor de Créditos), porque ele é a própria garantia, então é seguro e tem rendimento diário. E não é preciso ter muito dinheiro: é possível investir com apenas R$ 1,00. Também trouxemos uma inovação que dá mais segurança: permitir acessar o dinheiro e resgatá-lo 24 horas por dia, sete dias por semana.

Broadcast/InvesTalk: Qual é o público-alvo específico que o Tesouro está buscando com esse lançamento do Tesouro Reserva?

Daniel Leal: O nosso foco sempre foi ter todo investidor brasileiro qualificado para escolher seus produtos. A ideia é trazer a maior quantidade de pessoas. O Tesouro Direto tem hoje 3,4 milhões de investidores ativos e há espaço grande de crescimento. Eu sou conservador, então acho que atingir 5 milhões rapidamente e, eventualmente, 10 milhões, num prazo de um a dois anos, para o Tesouro Direto como um todo, por conta do Tesouro Reserva e de outras ações, seria um grande marco. Estaríamos bastante satisfeitos.

Broadcast/InvesTalk: Já é possível fazer um balanço desses primeiros dias de Tesouro Reserva?

Daniel Leal: Tenho visto algumas mensagens nos últimos dias, e tem crescido bastante o número de aplicações e o interesse no Tesouro Reserva. A gente vem falando muito, seja na mídia ou nas redes sociais, que está sendo um sucesso. E ele já vem crescendo bastante. Inclusive, estão surgindo muitos questionamentos sobre quando vai estar disponível para clientes de outras instituições, além do Banco do Brasil.

Broadcast/InvesTalk: E já tem alguma perspectiva para esse lançamento em outras instituições?

Daniel Leal: Isso vai depender um pouco da intenção das instituições, e já temos algumas interessadas. Não posso listar exatamente o nome delas, mas há algumas que demonstraram interesse em plugar na nova plataforma. Elas estão em contato com a B3 (Bolsa de Valores) para checar quais são os requisitos para migrar e ofertar o Tesouro Reserva para seus clientes.

Broadcast/InvesTalk: Existe alguma chance de outros títulos, como o Tesouro Selic, o Prefixado e o IPCA+, também operarem na plataforma 24×7?

Daniel Leal: Primeiro, é preciso entender por que o 24×7. Ele serve para que as pessoas possam resgatar o seu dinheiro em uma necessidade, a qualquer momento, no sábado, no domingo ou na madrugada, para alguma emergência. São essas emergências que, normalmente, levam o investidor a resgatar valores da sua reserva. Por isso, até o nome é Tesouro Reserva. O Tesouro Selic poderia até ser um ativo [futuramente operando no 24×7], mas o Tesouro Reserva foi feito para funcionar nessas condições. Os outros títulos não foram feitos para operar nessas situações, porque têm um preço de mercado. E se o mercado não está aberto, não há certeza daquele preço. A nossa maior preocupação é que não haja nenhum dano ao investidor nesse sentido.

Broadcast/InvesTalk: Na sua avaliação, como o 24×7 pode levar outros agentes do mercado a também lançarem plataformas nesse formato?

Daniel Leal: Acho que isso vai acabar acontecendo de qualquer forma. Isso deve virar um padrão para as instituições financeiras, porque a sociedade brasileira tem uma tendência de gostar de liquidez. Já existiam alguns produtos mais ou menos nesse sentido, mas não com o poder que o Tesouro Direto tem. Então imagino que parte disso vai ser replicada.

Broadcast/InvesTalk: Nos últimos anos, o Tesouro se empenhou em uma agenda de inovações, com o Educa+, o RendA+, o TD Garantia e o Gift Card. Daqui para a frente, tem alguma novidade no radar, ou agora o foco é consolidar esses lançamentos recentes?

Daniel Leal: O Tesouro Reserva foi o grande lançamento de produto que nós tínhamos para fazer, e vamos continuar deixando sólidas essas outras iniciativas que já tiveram início nos últimos anos. Temos o TD Impacta e a Olitef [Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira], que são programas focados na questão de empreendedorismo e educação financeira. Há outros produtos do Tesouro Direto que considero importantes e que devem agregar eficiência, mas que são acessórios, como o TD Garantia e o Gift Card. Precisamos trabalhar esse tipo de solução que já existe, mas ainda não tem a penetração que entendemos necessária.

Broadcast/InvesTalk: Além da educação financeira da população, vocês consideram que essa busca por popularização do Tesouro Direto pode trazer efeitos positivos para a gestão da dívida pública e da arrecadação?

Daniel Leal: Não, o Tesouro Direto, na dívida pública, tem um porcentual muito pequeno, por volta de 2%. Então não tem um impacto muito direto na necessidade de financiamento do governo federal. Acho que ele tem, sim, externalidades positivas nesse sentido. Quanto mais se aumenta a educação financeira da população e a taxa de poupança, isso acaba refletindo, de fato, na gestão institucional da dívida pública. Então esse caráter de educação financeira, sim, é super positivo. Mas o reflexo, se a gente vai vender mais e ajudar na arrecadação, é meio que imperceptível.

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