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Presidente da Vulcabras, Pedro Bartelle, afirma que conflito forçou profunda revisão da estratégia para este ano
6 de maio de 2026, às 10:39
Por Gabriel Baldocchi e Aramis Merki II
A guerra do Oriente Médio forçou a Vulcabras, dona da Olympikus, a fazer uma profunda revisão da estratégia desenhada para este ano. Com uma alta explosiva de custos em matérias-primas, a empresa precisou reagir com agilidade: se viu obrigada a reajustar preços em até 15% e decidiu revisar o cronograma de lançamentos de alguns dos principais produtos, para dar mais ênfase a linhas com valores intermediários.
“Fizemos um orçamento para um cenário e tudo mudou. Aquela receita de dezembro já não funciona mais. Está muito incerto. Já nos adaptamos e agora estamos no meio da guerra”, afirma o presidente da Vulcabras, Pedro Bartelle, em entrevista à Broadcast.
Segundo o executivo, os efeitos econômicos provocados pelo conflito se assemelharam ao impacto causado pela pandemia da Covid-19, sobretudo no início. “Começamos a ver que ia faltar matéria-prima, o preço do contêiner saltou e os custos subiram: tudo isso começou com um efeito muito parecido com o da pandemia. Hoje não é mais, mas há semelhanças”, afirma o executivo.
Um dos paralelos é que as reuniões semanais de diretoria na companhia se tornaram mais frequentes agora, de maneira parecida com a época da crise sanitária, quando passaram a ser diárias.
O principal desafio desta fez foi a alta de até 50% observada em matérias-primas derivadas do petróleo e usadas na produção dos calçados. A resposta da fabricante brasileira na ponta se traduziu numa tabela reajustada ao mercado, com aumentos que chegam a 10% a 15% em certos modelos.
Outra decisão foi a de dar mais ênfase aos produtos de faixas intermediárias, o que inclusive antecipou a programação de lançamentos. A nova versão do tênis de corrida com maior vendas da companhia, o Corre, agora será oferecido em mais cores do que o previsto inicialmente neste ano, num cronograma antecipado por causa do cenário adverso.
A empresa acredita que a alta dos preços deve forçar uma migração do consumo para os modelos de menor preço. “Como estamos vendo um cenário mais difícil, antecipamos um pouco. É uma flexibilidade que temos. Estamos colocando um pouco mais de soldados na guerra”, afirma Bartelle. “A vida não vai ser fácil neste ano e nós já nos adaptamos.”
A capacidade de se adaptar rápido às demandas de mercado virou parte do modelo do negócio da Vulcabras desde que a empresa se reestruturou para sobreviver à crise profunda vivida no início da década de 2010. Hoje, a companhia é capaz de lançar produtos no mercado com até dois meses a menos do que a média do mercado, o que permite otimizar a produção e reagir com velocidade na reposição de itens com maior sucesso nas prateleiras.
Essa receita é o que atraiu gigantes globais a ter a Vulcabras como parceira no Brasil. Hoje, além da marca própria Olympikus, a fabricante brasileira representa a americana Under Armour e a japonesa Mizuno.
A fórmula também o formato que permitiu à empresa alcançar, no período de janeiro a março, o 23º trimestre de crescimento seguido com avanço nas vendas e nos volumes. No período, a receita líquida subiu 10,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para R$ 776,4 milhões. O lucro líquido, porém, recuou 19%, para R$ 86 milhões.
Apesar do cenário adverso, a previsão é encerrar o ano com novo nível recorde de vendas. A companhia vê ainda a Copa do Mundo como uma oportunidade para aproveitar o vácuo deixado por outras marcas na promoção de esportes que vão além do futebol, como a corrida. Isso, apesar do grupo ter voltado aos gramados do País, como fornecedora de materiais do Botafogo, com a marca Mizuno, neste ano. “Na Copa, as marcas vão falar de futebol e vamos aproveitar para falar de outros esportes”, afirma Bartelle.
A empresa também segue aberta a encontrar novos nomes globais para representar no Brasil. Nesse quesito, a percepção é de que o cenário mais incerto dificulta as negociações. Por outro lado, pode abrir o interesse de marcas que enfrentam dificuldade de entender o modo de operação no País.
Outra alavanca será a venda direta ao consumidor, tanto pelo e-commerce, como pelas rede de lojas próprias, hoje com 20 unidades. No primeiro trimestre, somente as vendas por e-commerce representaram cerca de 16% do total, um montante de R$ 124,4 milhões.
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