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Setor privado vê Flávio deslocado do debate nos EUA e com atuação constrangedora

Candidato à Presidência da República fez discurso político em ambiente técnico, dizem empresários

10 de julho de 2026

Isadora Duarte

A participação do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública em Washington (EUA), sobre a investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio pelo Brasil, na terça-feira, 7, foi “deslocada do ambiente técnico”. A avaliação é de empresários brasileiros e representantes do setor privado que participaram dos painéis do dia, ouvidos pelo Broadcast Agro. Alguns interlocutores classificaram a atuação do senador como “constrangedora”.

Como mostrou o Broadcast, Flávio Bolsonaro apostou em um discurso político e de ataques ao governo Lula durante a sua apresentação. De acordo com interlocutores, o senador focou a fala em três temas: regulação das redes sociais, a corrupção no Brasil e a defesa do PIX. Também acenou indiretamente para as eleições presidenciais deste ano. Flávio Bolsonaro pediu ainda a não aplicação de novas tarifas sobre os produtos importados brasileiros, alegando que favoreceriam o governo Lula.

Para as fontes ouvidas, a presença do senador e pré-candidato à Presidência em oposição ao governo Lula “deturpa” o debate técnico. “As discussões são muito técnicas. Ele está em ambiente deslocado”, afirmou um representante do setor privado, citando tom eleitoral da apresentação do senador. “Foi um discurso puramente político, falando que tem corrupção no governo, citando crise do INSS, caso Master e que tudo será resolvido com a eleição dele”, relatou outra fonte.

De acordo com os interlocutores, apesar do tom político adotado por Flávio Bolsonaro, as interpelações feitas pelas autoridades do governo americano mantiveram o pragmatismo e o teor comercial e econômico. “Não houve perguntas políticas feitas a ele e o senador tergiversou nas resposta sobre os prejuízos de eventual novo tarifaço à economia brasileira”, apontou uma das fontes.

Outra ala do setor privado minimiza eventuais ruídos gerados pela participação do senador na audiência, embora avaliem que o discurso tenha destoado do ambiente técnico. “A audiência manteve a lógica do primeiro dia com as perguntas voltadas para o comércio, questões econômicas, inflação, complementaridade da pauta. Foi uma discussão de altíssimo nível”, pontuou outro empresário brasileiro.

A audiência pública foi realizada no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas desleais do Brasil. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o PIX -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. A audiência integra as etapas finais da investigação feita pelo governo americano.

O USTR deverá publicar o resultado final da apuração, após as consultas públicas. No relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção a grande parte dos produtos agropecuários. A consulta pública foi iniciada ontem com a participação de uma série de entidades do setor produtivo brasileiro. Entidades que representam o setor privado brasileiro também participam da consulta pública. A audiência é vista pelos setores como a oportunidade de ampliar a lista de exceções e evitarem a aplicação da nova sobretaxa.

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