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Tesouro monitora fluxos e ainda não vê IA prejucidando financiamento de emergentes

Cancelamento de leilão de títulos atrelados à inflação, no mês passado, foi lido no mercado como estratégia de não referendar taxas excessivamente elevadas

2 de julho de 2026

Eduardo Laguna

O Tesouro Nacional avalia que o financiamento de economias emergentes ainda não foi prejudicado pela competição por recursos das big techs americanas, que estão buscando centenas de bilhões de dólares no mercado para financiar a corrida da inteligência artificial.

O órgão diz que tem acessado normalmente diferentes mercados internacionais, sem observar impactos relevantes do aumento das emissões corporativas nos Estados Unidos.

Em resposta a questionamentos da Broadcast sobre riscos da forte canalização de recursos globais ao setor tecnológico americano, o Tesouro informou que está acompanhando a evolução dos fluxos de capital e as condições de financiamento nos mercados globais.

“Neste momento, a competição direta entre essas operações e as emissões soberanas de mercados emergentes não parece prejudicar o financiamento desses países”, afirma a instituição, lembrando que, no Brasil, cerca de 96% da dívida pública federal é financiada no mercado doméstico.

Os retornos exigidos pelos investidores têm aumentado diante dos riscos domésticos – em especial no campo fiscal -, da precificação de pelo menos um aumento de juros nos Estados Unidos até o fim do ano e da drenagem de recursos pelos investimentos maciços em inteligência artificial.

No mês passado, o Tesouro cancelou um leilão tradicional de títulos atrelados à inflação (NTN-Bs), num movimento lido no mercado como uma estratégia de não referendar taxas excessivamente elevadas em um momento de estresse na curva de juros.

Como mostrou reportagem publicada ontem pela Broadcast, as big techs, entre captações já realizadas ou previstas até o fim do ano, podem absorver sozinhas mais de US$ 830 bilhões dos investidores. A lista inclui a recente chegada da SpaceX à bolsa, em uma operação que marcou o maior IPO (oferta inicial de ações) da história dos mercados globais.

A empresa do bilionário Elon Musk captou US$ 75 bilhões na Nasdaq e, em seguida, fez uma emissão de US$ 25 bilhões em bonds para reforçar o caixa e financiar investimentos em supercomputadores.

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