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Santander lança oferta de ações e abre caminho para fechar capital no Brasil

O anúncio da operação veio um dia após o banco divulgar tombo no lucro do 2º tri

31 de julho de 2026

Por André Marinho e Altamiro Silva Junior

O anúncio da oferta de aquisição de ações do Santander Espanha para comprar o restante dos papéis que não tem da unidade brasileira, uma operação de R$ 11,2 bilhões em troca de ações, deixa o banco perto de fechar o capital na B3. A liquidez das ações deve se reduzir de forma drástica na Bolsa paulista.

Oficialmente, o Santander afirma que deve seguir listado na B3 e o que pode acontecer é a saída da Bolsa de Nova York, onde tem American Depositary Shares. Na prática, porém, uma eventual adesão elevada secaria o volume de papéis em circulação no mercado brasileiro.

“Ficam a um passo de fechar capital, a liquidez na B3 vai despencar”, disse uma fonte. Para um analista, a operação é um “corner” para o acionista minoritário, ou seja, o controlador terá a totalidade das ações, ditando os preços e deixando o mercado sem chance de operar.

Em resposta à notícia, os depósitos de ações (ADRs) do Santander Brasil avançavam cerca de 9% nas negociações estendidas da Bolsa de Nova York, por volta das 20h30 (horário de Brasília).

Discussão antiga

Ao menos desde o final de 2024, analistas e investidores vêm colocando o banco espanhol entre os maiores candidatos a fechar o capital na B3.

A razão é que as ações do Santander Brasil eram negociadas a múltiplos mais baixos que os dos papéis da matriz em Madri. Foi uma análise parecida que levou o Carrefour francês a tirar a filial brasileira da Bolsa, no final de maio de 2025. Mais recentemente, essa distância de múltiplos se ampliou ainda mais, pois os papéis da subsidiária brasileira acumulam queda forte. Só este ano, acumulam baixa de 21%, em meio à piora dos resultados no Brasil.

O anúncio da compra das ações vem um dia após o banco divulgar um balanço considerado muito fraco pelo mercado, com queda anual de 17% do lucro, provisões adicionais de mais R$ 7,6 bilhões e retorno patrimonial (ROE, em inglês) caindo para 12,5%, se distanciando dos pares privados e da meta do banco de levar o indicador para 20%.

Os números foram recebidos com desconforto entre investidores e derrubou ainda mais os papéis da instituição financeira, que perdeu cerca de R$ 8 bilhões em valor de mercado entre ontem e hoje, 30. No final do pregão desta quinta-feira, o banco valia R$ 95 bilhões na B3, o equivalente a um quinto do Itaú e também atrás dos rivais Bradesco (R$ 190 bilhões) e até do pressionado Banco do Brasil (R$ 131 bilhões). O preço deprimido também ajuda a tornar o momento mais favorável para esse tipo de OPA, na avaliação de observadores.

Matriz vê perspectiva favorável

A presidente executiva do grupo Santander, Ana Botín, disse que o Brasil é um dos principais mercados do conglomerado e as perspectivas são favoráveis. “Esta transação faz parte da nossa estratégia de alocação de capital de forma disciplinada, simplificar o grupo e fortalecer ainda mais o nosso compromisso de longo prazo com o Brasil.” O prêmio para os acionistas é de 15% e a adesão é voluntária.

Em junho de 2025, analistas chegaram a se reunir com o então presidente do banco, Mario Leão, que deixou o cargo em junho de 2026, e questionaram sobre um possível fechamento de capital. Participantes relataram que Leão disse que essa proposta não existia naquele momento, embora não tenha descartado que pudesse ocorrer no futuro. “Leão reconheceu que dada a atuação avaliação de mercado do banco, não ficaria surpreso se uma ideia como esta fosse considerada no futuro”, afirmou a equipe liderada por Daniel Vaz, do Safra, em relatório enviado a clientes naquele momento.

Como parte da operação, o Santander solicitará registro como emissor estrangeiro e o registro de suas ações para negociação no Brasil por meio de um programa de BDR. Também buscará aprovação da Assembleia Geral para o aumento de capital correspondente.

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