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Aliados de Lula veem relação com EUA como maior desafio na agenda internacional, em 2027

Crime organizado e terras raras também são apontados como temas espinhosos na agenda internacional de 2027

31 de agosto de 2026

Gabriel Hirabahasi

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acreditam que a relação com os Estados Unidos será o principal desafio na agenda internacional que o próximo presidente do Brasil terá, apurou o Broadcast Político.

A instabilidade que Lula vem tendo na relação com Donald Trump, alternando entre conversas avaliadas como positivas e ataques por parte do Departamento de Estado, é um dos argumentos nesse sentido. O principal, no entanto, está no cerne da política externa do governo Trump e em como ele enxerga a América Latina.

Em sua Estratégia de Segurança Nacional, de novembro do ano passado, o governo norte-americano é explícito ao dizer que “os Estados Unidos não podem permitir que qualquer nação se torne tão dominante que possa atrapalhar nossos interesses” e que “nós (Estados Unidos) vamos trabalhar com aliados para o equilíbrio de forças regional e mundial e impedir a emergência de adversários dominantes”.

A estratégia trumpista também diz que “nós (Estados Unidos) queremos que as nações nos vejam como seus principais parceiros, e nós vamos (por vários meios) desencorajá-las a colaborar com outros (países)”.

O Broadcast Político ouviu de fontes do governo brasileiro que lidar com essa forma como o governo Trump estabeleceu as diretrizes para sua política externa será o maior desafio que o presidente brasileiro eleito neste ano terá pelos próximos quatro anos. Mas há outros temas que emergem nas análises de conjuntura em relação à política internacional.

O combate ao crime organizado, principalmente por meio de parcerias com outros países, é visto como um desafio que qualquer presidente que assuma a cadeira em 2027 terá de enfrentar. Lula tem tentado se aproximar dos Estados Unidos por meio do discurso de combate ao crime, mas não conseguiu grandes avanços até agora.

A criação de um marco regulatório sobre a exploração de minerais críticos e terras raras, já em discussão no Congresso Nacional, e as pesquisas nessa área também são vistas como centrais na agenda internacional, sob a ótica de aliados do presidente da República. Não à toa, Lula pediu aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na quarta-feira, 26, que agilizem a votação do projeto que trata do assunto.

Interlocutores do presidente citam outros assuntos que veem como prioritários na agenda de Lula – estes, porém, menos controversos. O petista e os demais candidatos concordam quanto à importância dos minerais críticos e do combate integrado ao crime organizado com outros países. Há outros temas, como a regulação de plataformas digitais e de inteligência artificial e uma visão mais atenta à relação com países da África, que também são vistos como estratégicos para a campanha de Lula, mas não por seus adversários.

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