Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Campanha de Lula evita ‘casca de banana’ para temas espinhosos

Trajetória de gastos obrigatórios, benefícios sociais, gastos tributários e modernização do Estado podem ser tratados já em 2026

14 de agosto de 2026

Célia Froufe, Mateus Maia e Flávia Said

A coordenação econômica da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer evitar “cascas de banana” ao anunciar, de antemão, projetos concretos para ajustes fiscais. Sinaliza, porém, que pode enviar propostas estruturantes ainda em 2026, em caso de vitória, segundo apurou a Broadcast.

Sem detalhar os planos, há quatro eixos que podem ser atacados logo após a confirmação de um hipotético resultado positivo nas urnas: trajetória de gastos obrigatórios, benefícios sociais, gastos tributários e modernização do Estado. Está clara, para a equipe que formula as prioridades de uma nova gestão do petista, a importância do primeiro ano de governo para que temas menos populares, mas mais edificantes para o progresso do País, sejam colocados como prioridade.

Entre as quatro grandes frentes de atuação para as quais o governo pretende olhar, ainda há apenas ideias sobre possíveis ajustes pós-campanha na fórmula que atualmente atualiza o salário mínimo. Visto como um ponto sensível pelo governo e praticamente uma bandeira de toda a vida política de Lula, o assunto também é um dos mais questionados pelas demais campanhas.

Fontes admitem que mudanças podem ocorrer, mas que ficariam no meio do caminho entre o que existe hoje e o que deseja a oposição. A preocupação agora é com o não-comprometimento de promessas para nenhum lado. Dentro da equipe econômica, há quem defenda, nos bastidores, o fim do reajuste engatilhado também para aposentados e pensionistas, com o objetivo de diminuir a indexação da economia doméstica, mas ainda não está claro se esta seria uma possibilidade a ser aventada pelo governo em um próximo mandato.

Publicamente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que não há discussão de desvinculação de benefícios tributários do salário mínimo e muito menos estudos para acabar com a valorização real do pagamento.

“Tem que, eventualmente, fazer um debate sobre contribuição previdenciária: sair da folha e ir para o faturamento”, indicou um membro da campanha, salientando, porém, que o tema será debatido e os números apresentados antes de uma mudança efetiva, “assim como foi feito com a reforma tributária”, com o compromisso de manter a neutralidade e de não “quebrar” a Previdência.

Há a avaliação também de que os programas sociais precisam passar por uma revisão. Lula já disse que não quer ser lembrado “apenas” como o pai do Bolsa Família, mas a análise inicial é a de que esse programa já vem surtindo efeito e naturalmente diminuindo de tamanho.

A maior preocupação é com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo mensal a pessoas de baixa renda a partir dos 65 anos e com deficiência. O benefício é pago pelo INSS, mas não exige tempo de contribuição prévia nem paga 13º salário. “Há um debate que precisa ser feito.”

Fiscal

Na área fiscal, que é o calcanhar de Aquiles de governos do PT, haverá ênfase do compromisso com um esforço na mesma magnitude que vem sendo feito pela equipe atual – com atuações tanto do lado da receita quanto da despesa. É bem provável também que haja “algum ajuste” no atual arcabouço fiscal, conduzido pelo Ministério da Fazenda, e que vem sendo chamado pela campanha de Flávio Bolsonaro de “calabouço fiscal”.

Após conversas com agentes econômicos de diferentes segmentos ficou claro para a campanha de Lula que a cobrança de alguns pontos do plano será apontada como essencial para um possível Lula 4, mas que o mesmo posicionamento não será adotado com a chapa de Flávio, por exemplo. Um dos aspectos mais evidentes desta diferença estaria justamente na área fiscal.

A coordenação de campanha também indica que deverá seguir cobrando um esforço conjunto dos demais Poderes, incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU), responsável por fiscalizar as contas do governo. No ano passado, a Corte de Contas travou um embate com o Executivo ao defender que a contenção de despesas deveria ser feita mirando o centro da meta de resultado primário, e não o piso, como a equipe econômica vinha fazendo.

No Judiciário, estão na mira do projeto petista, por exemplo, gastos com pessoal dos Tribunais de Justiça (TJs). Já no Congresso, a conta recai sobre a aprovação de “pautas-bomba”, como a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, sem fonte de receita para compensar a nova despesa. “O compromisso fiscal tem que vir de todo mundo”, destacou um interlocutor.

Veja também