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Essa será a primeira reunião do indicado do presidente Donald Trump, Kevin Warsh, à frente do BC americano
17 de junho de 2026, às 09:35
Por Thais Porsch
Com o mês de maio marcado por altas inflacionárias e incerteza sobre as consequências de longo prazo da guerra no Oriente Médio, o Federal Reserve (Fed) deve novamente manter as taxas de juros inalteradas, na faixa de 3,50% a 3,75%, na reunião de política monetária de hoje nos Estados Unidos. Essa será a primeira reunião do indicado do presidente Donald Trump, Kevin Warsh, à frente do BC americano.
Com o mercado descartando a possibilidade de surpresas na definição das taxas de juros, o foco de Wall Street deve se voltar à comunicação e postura de Warsh em meio à inflação ainda longe da meta de 2% ao ano fixada pelo BC, mas com sinais positivos do mercado de trabalho nos EUA. Enquanto a inflação ao consumidor se mostrou menos intensa do que o previsto no mês passado, no atacado as pressões inflacionárias superaram as estimativas pelo segundo mês consecutivo. Já o principal indicador de emprego dos EUA, o payroll, mostrou criação de 172 mil empregos em maio, bem acima da mediana de 85 mil projetada pelo Projeções Broadcast.
Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado estima cerca de 60% de probabilidade de alta de juros pelo Fed até dezembro de 2026. Para os analistas, os efeitos inflacionários devem demorar a se dissipar mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto nesta semana. Não é esperado, segundo a chefe de Previsão de Petróleo e Gás da Oxford Economics, Bridget Payne, um aumento rápido na quantidade de petróleo fluindo por Ormuz nos próximos meses. Segundo ela, o transporte pelo Estreito deve ser retomado gradualmente até o final de julho.
O ING observa que o novo presidente do Fed não é fã de orientações futuras (forward guidance) e provavelmente não se comprometerá em sua primeira coletiva de imprensa. A expectativa é que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mantenha a taxa dos Fed Funds na faixa entre 3,50% e 3,75%, sem sinalizar inclinação para afrouxamento em sua declaração, diz o Bank of America. “Não achamos que Warsh apresentará previsões, mas esperamos que ele adote uma postura dovish na coletiva, argumentando que os choques de oferta são pontuais e que o Fed deve olhar para frente em relação à desinflação da inteligência artificial”, dizem os analistas. O CIBC acrescenta que Warsh pode ter um problema em suas mãos se tentar direcionar o Fed para a visão dovish, já que os preços parecem estar presos em uma alta elevada.
O TD Securities prevê ajustes amplamente agressivos tanto nas projeções econômicas quanto no gráfico de pontos. “Acreditamos que uma forte resistência de Warsh é improvável, pois isso prejudicaria sua credibilidade e eficácia em relação à sua agenda de longo prazo voltada para reformas. Seria uma dor de curto prazo para um ganho de longo prazo para o novo presidente”, adiciona.
O Goldman Sachs não espera que o BC dos EUA reduza as taxas até o próximo ano. David Mericle, economista-chefe para EUA, adiou sua previsão para os dois últimos cortes de juros deste ciclo para junho e dezembro de 2027 – de dezembro de 2026 e março de 2027 anteriormente. A atividade econômica dos EUA e os dados do mercado de trabalho “têm sido mais fortes do que antecipávamos nos últimos meses, com o crescimento do emprego, em particular, aumentando de forma impressionante”, aponta Mericle. A equipe do Goldman ainda prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficará um pouco abaixo do potencial na segunda metade deste ano, à medida que os altos preços do petróleo pesam sobre os gastos.
De acordo com o banco, os efeitos combinados de tarifas, preços mais altos dos combustíveis, outros efeitos da guerra no Oriente Médio e a demanda por IA devem manter o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, a medida de inflação favorita do Fed) acima de 3% ao longo deste ano. Se não ocorrerem choques adicionais de oferta, a inflação cairá para perto de 2% em 2027.
Para o economista-chefe para os EUA do Jefferies, Thomas Simons, não seria exagero dizer que os 19 formuladores de política monetária do Fed têm visões diferentes sobre o equilíbrio dos riscos em relação ao impacto nas perspectivas e a resposta apropriada. Como consequência, ele acredita ser mais provável que o resumo das projeções econômicas de junho seja menos específico do que as edições anteriores. Além da grande incerteza sobre as perspectivas, os sólidos fundamentos do mercado de trabalho e a falta de repasse dos altos preços da energia para o núcleo da inflação dão ao Fomc tempo para manter sua abordagem de “esperar para ver”, enfatiza Simons.
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