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O desempenho foi considerado negativo por analistas de diferentes instituições
6 de agosto de 2026
As vendas na rede de shoppings da Iguatemi foram mais fracas do que o esperado nos meses de junho e julho, o que provocou queda nas ações da companhia nesta quarta-feira, 5, após a divulgação do balanço trimestral. Os papéis recuaram 2,27%, para R$ 24,99.
O que mais pesou nos resultados foi o calendário marcado pela Copa do Mundo. Nesse período, os clientes de alto poder aquisitivo que costumam visitar os centros de luxo da Iguatemi decidiram fazer as malas e ver os jogos, pessoalmente, em Miami, Los Angeles, Nova York, dentre outros destinos do seu agrado, esticando alguns dias de folga fora do país.
“Nosso cliente é de alta renda e viaja. Percebemos que os nossos clientes viajaram mais, aproveitando este momento em família”, disse o presidente da Iguatemi, Ciro Neto. Ele observou que a Copa do Mundo de 2026 foi prolongada e envolveu sedes que fazem parte do circuito turístico internacional dos brasileiros, contexto que estimulou as viagens.
Com isso, as vendas totais dos 17 shoppings e outlets do grupo atingiram R$ 6,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 4,6% ante o mesmo período do ano passado, um resultado que apenas acompanhou a inflação no período. Já as vendas no critério mesmas lojas (abertas há mais de um ano) tiveram alta de apenas 1,7%, denotando dificuldades das varejistas nesse período específico.
O desempenho foi considerado negativo por analistas de diferentes instituições financeiras, como Citi, BTG Pactual, Itaú BBA, JP Morgan e Santander, que fizeram esses apontamentos em seus relatórios a investidores.
“A empresa apresentou indicadores operacionais fracos durante o trimestre”, descreveram André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta, do Citi.
“O portfólio da empresa registrou um crescimento modesto nas vendas das mesmas lojas, refletindo em grande parte efeitos desfavoráveis de calendário”, afirmaram Elvis Credendio e sua equipe, do Itaú BBA.
“A Iguatemi reportou um crescimento de vendas e aluguéis abaixo do esperado, embora os demais indicadores operacionais permaneceram consistentes”, avaliaram Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, do BTG Pactual.
“Observamos que as vendas nas mesmas lojas ficaram em um nível fraco de 1,7%, impactadas negativamente pela Copa do Mundo”, disseram Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt, do Santander.
“Esperamos uma pequena reação negativa das ações, por conta dos dados operacionais mais fracos e abaixo da Multiplan”, citaram os analistas Marcelo Motta e equipe, do JP Morgan.
A título de comparação, os analistas apontaram que a concorrente Multiplan teve resultados mais resilientes, com alta de 7,7% nas vendas totais e alta de 4,3% vedas das mesmas lojas no segundo trimestre. A Copa diminuiu as vendas na rede da Multiplan nos dias de jogos da seleção brasileira, mas com recuperação imediata nos demais dias.
Por sua vez, a Iguatemi ponderou que o efeito foi limitado a junho e parte de julho, com as vendas já tendo retornado ao patamar normal. O vice-presidente de finanças e relações com investidores, Guido Oliveira, explicou que as vendas e o fluxo nos estacionamentos na primeira quinzena de julho ainda foram afetados pelo calendário esportivo, mas voltaram a crescer na segunda metade do mês. “As vendas de julho foram positivas, mas não altas”, comentou.
Outros indicadores operacionais continuaram saudáveis, segundo analistas. A ocupação dos espaços disponíveis para lojas na rede atingiu 96,9%, um patamar elevado e com crescimento de 0,5 ponto porcentual em um ano. A inadimplência líquida dos lojistas seguiu baixa, em apenas 0,1%.
O presidente destacou que os lojistas continuam mostrando uma demanda aquecida por espaços nos shoppings, o que permite ao grupo seguir expandindo o valor cobrado dos aluguéis. “Temos conseguido, tanto nas locações para marcas nacionais e internacionais, um crescimento do aluguel de dois dígitos”, afirmou Ciro Neto.
A direção também ressaltou a atualização constante no mix de atrações com objetivo de atrair o público e maximizar o faturamento. Como exemplo, a varejista sueca de moda pop H&M inaugurou unidades nos shoppings Riosul, Iguatemi Porto Alegre, Praia de Belas e Esplanada. A marca alemã de calçados Birkenstock abriu loja no Riosul e fechou contrato para outra unidade no Iguatemi Campinas. Esse mesmo shopping ganhou uma expansão da Zara e a inauguração da Carolina Herrera. E a Maison Dior prepara uma grande loja no Iguatemi São Paulo (Faria Lima) inspirada na flagship da marca em Paris.
Neste momento, a companhia está trabalhando na expansão do Iguatemi São Paulo e do Iguatemi Brasília. No primeiro, a expectativa é de concluir a locação do novo espaço de rooftop em dois a três meses. No segundo, a previsão é chegar a 90% de ocupação da nova área até novembro.
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