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Troca de comando na CSN anima o mercado

Benjamin Steinbruch foi substituído por Fabio Schvartsman, ex-Vale, como CEO

3 de setembro de 2026

Talita Nascimento

As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começaram o dia em disparada de 18% após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixou o posto de presidente executivo da companhia, cargo que passa a ser ocupado por Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, com carreira em empresas como a Klabin e a Ultrapar. A chegada do executivo gerou sentimento positivo no mercado, que enxerga a mudança como favorável diante dos desafios que a empresa enfrenta. Steinbruch passará à presidência do Conselho de Administração da companhia.

Na visão do analista responsável pela cobertura de siderurgia do Itaú BBA, Daniel Sasson – que acompanhou a passagem de Schvartsman tanto pela Klabin quanto pela Vale -, o executivo tem credibilidade no mercado para conduzir renegociações de dívidas e transformações relevantes.

A siderúrgica tem dívida líquida de R$ 42 bilhões e alavancagem de quase 3,5 vezes na relação dívida líquida/Ebitda. Em plano anunciado no início deste ano, a CSN colocou à venda participações na CSN Cimentos – admitindo negociar o controle do ativo – e na CSN Infraestrutura. Com os negócios, a empresa pretendia obter entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. O negócio de cimentos está mais adiantado, pois já foram feitas propostas vinculantes pelo ativo.

“Schvartsman tem um histórico super positivo em relação a liderar discussões difíceis, com muitas partes interessadas. Ele fez isso na Klabin, aprovando o projeto de Puma 1, que realmente foi transformacional para a companhia. Depois, na Vale, conduziu o processo de migração para o novo mercado e levou a empresa a ser, de fato, uma corporation (sem controle definido)”, afirma Sasson.

O executivo deixou a Vale após a tragédia de Brumadinho (MG), quando o rompimento de uma barragem no município, em janeiro de 2019, deixou mais de 270 mortos, além de danos ambientais. Schvartsman é um dos réus em processo criminal sobre o caso.

Sob pressão

A XP lembrou, em relatório, que a tese de investimento da CSN segue sob pressão, refletindo preocupações com o fluxo de caixa livre (FCF) e o balanço em um ambiente de juros mais altos por mais tempo. No entanto, a corretora entende que a companhia deve conseguir cumprir suas obrigações até 2030, por meio de um plano de captação e financiamento que o analista Lucas Laghi classifica como “abrangente (embora crível)”. Para ele, esse deve ser o principal mandato do novo CEO da CSN.

“Nesse sentido, estimamos uma necessidade total de caixa de aproximadamente R$ 41 bilhões do terceiro trimestre de 2026 a 2030, a ser endereçada por meio de: refinanciamento de dívida com bancos (cerca de R$ 20 bilhões), pré-pagamentos de minério de ferro (cerca de R$ 13 bilhões) e venda de ativos (cerca de R$ 17-18 bilhões)”, escreve Laghi.

O BTG classificou a mudança como “inesperada, mas uma boa notícia”. Os analistas veem Schvartsman como um executivo muito respeitado e “pró-mercado”. “Sobretudo, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reformular a tese de investimento da CSN”, escrevem Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo.

Eles pontuam que o movimento também deve trazer mais clareza para a estrutura de liderança da companhia e para o planejamento sucessório, temas que fazem parte do debate entre investidores há algum tempo.

No início da tarde, as ações da CSN ainda sustentavam alta acima de 7,5%.

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