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País vai aumentar sua capacidade instalada de data centers em 30% neste ano
24 de agosto de 2026
Mesmo sem a aprovação dos benefícios fiscais previstos no Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), o setor de centros de processamento de dados no Brasil vai aumentar sua capacidade instalada em 30% este ano, considerando os projetos já em andamento. O ritmo de expansão está acima da média dos últimos cinco anos, que tem girado em torno de 20% ao ano, de acordo com pesquisa da consultoria JLL.
Essa aceleração tem a ver com projetos que visam suprir demandas locais que não podem ser adiadas, mesmo sem o programa de incentivos, afirma Bruno Porto, gerente de Logística e Data Centers da JLL. “Há um crescimento natural do mercado local para suprir essa deficiência de infraestrutura digital”, diz.
Ele destaca a continuidade no processo de digitalização da economia brasileira e a demanda crescente das empresas por processamento de dados, algo que é reforçado pela adoção da inteligência artificial (IA). Além disso, há projetos estrangeiros migrando para cá em busca de energia limpa e por causa da saturação de mercados consolidados nos Estados Unidos e na Europa, complementa. “Essa é uma tendência que está em andamento”.
O levantamento da JLL mostra que o conjunto de data centers no Brasil conta com uma capacidade instalada de 706 megawatts (MW) e tem outros 660 MW em construção. Com a entrega de todos esses empreendimentos, o parque nacional atingirá uma capacidade instalada 1.366 MW até o fim de 2028.
O maior projeto do setor envolve o TikTok e a Omnia, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. O empreendimento terá 200 MW, quase um terço de tudo que está em construção no Brasil. Já o Estado de São Paulo continua liderando o setor, com novos projetos nas cidades de Barueri, Santana de Parnaíba e Franco da Rocha – esta última receberá o primeiro projeto da multinacional Ada Infrastructure no País.
Apesar do crescimento, o setor convive com um entrave regulatório ligado ao Redata. Com a indefinição, muitos operadores optaram por colocar seus projetos em espera, sob a expectativa de que o benefício possa ser instituído nos próximos anos. Se o Redata estivesse em vigor, a expansão do mercado poderia ser pelo menos 50% maior, funcionando como um catalisador para novos aportes, afirma Porto. “O setor está crescendo, mas os investimentos poderiam ser muito maiores com o Redata”, ressalta.
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