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Bradesco e BB avaliam empréstimo para Casas Bahia

Valor pode chegar a R$ 1 bilhão e conversas começaram antes do pedido de RJ a

19 de agosto de 2026

Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Junior e Celia Froufe

Bradesco e Banco do Brasil estão avaliando a entrada em um empréstimo do tipo Debtor in Possession (DIP) para a Casas Bahia, que pode chegar a R$ 1 bilhão, segundo fontes. As conversas começaram antes do pedido de recuperação judicial feito pela empresa no domingo (16), mas ainda não há uma proposta formal, com estrutura definida, acrescentaram as fontes. Os dois bancos são parceiros financeiros de Casas Bahia de longa data e têm oferecido suporte ao grupo desde a pandemia, quando a crise no grupo começou.

Os dois bancos aguardam para analisar “com muito cuidado” as condições e o valor comprometido, disseram as fontes. Uma delas, ouvida pela reportagem, acrescentou que as necessidades de curto prazo da empresa ainda estão sendo apuradas, o que deve definir o tamanho do cheque. “O processo é ainda embrionário”, disse a fonte.

O DIP é um tipo de empréstimo comum em processos de recuperação judicial que normalmente dá direito de preferência no pagamento dos créditos. O pedido foi feito com a companhia apresentando dívidas de R$ 17,322 bilhões. Na relação de credores, estão créditos não sujeitos à recuperação (extraconcursais), onde R$ 4,1 bilhões são devidos ao Bradesco (junto com o Digio) e R$ 2,392 bilhões ao Banco do Brasil. O Digio e o Banco do Brasil também têm créditos sujeitos ao processo, de R$ 655,6 milhões e R$ 598,1 milhões, respectivamente.

Pela praxe, as dívidas também devem receber a atenção de técnicos do Banco Central, sobre potenciais impactos nos bancos, apurou a Broadcast. Mas a percepção é de como a situação de dificuldade da varejista não é nova e muito provavelmente grande parte dos recursos já deve estar provisionada pelos bancos.

A Casas Bahia ficou nos últimos meses sem recursos para financiar a compra de mercadorias e reduziu estoques. A empresa tentou levantar dinheiro no exterior, sem sucesso, e também viu secarem certas linhas de crédito, como explica em seu balanço.

“Consequentemente, ao longo do segundo trimestre de 2026, a capacidade de recomposição dos estoques foi restringida em relação aos níveis originalmente planejados pela administração”, afirmou a companhia, no balanço. Só no segundo trimestre, os estoques caíram em R$ 1,1 bilhão. Além disso, os dias de estoque passaram de 95 ao final de março para 75 ao final de junho.

O presidente da varejista, Renato Franklin, disse ontem, a investidores, que a companhia pretende utilizar a recuperação judicial para captar linhas de crédito de curto prazo e viabilizar a monetização de ativos. “Precisamos tirar esse peso do passivo estrutural, que vem de muitos anos atrás e que não conseguimos endereçar”, afirmou.

Segundo ele, a empresa tentou resolver essas obrigações gradualmente e sem recorrer à recuperação judicial desde 2023. Alguns dos fatores que empurraram a varejista para a recuperação judicial foram restrições a mais crédito por parte das seguradoras de fornecedores, por conta do risco da varejista, e a desistência de alguns dos investidores externos que participariam de um aporte privado.

Franklin também comentou sobre o assunto ontem, dizendo que a operação de captação internacional continua em discussão, mas ainda não possui data para ser concluída nem compromisso firme de aporte.

Procurados, BB, Bradesco e Casas Bahia não comentaram.

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