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Investigações apuram se houve irregularidades no financiamento do filme e se todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi para a produçao
4 de setembro de 2026
Não há dúvidas, na avaliação de um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), de que foi política a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo a pouco mais de um mês da eleição do processo da Polícia Federal (PF) que trazia a suposta troca de mensagens entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Por este motivo, essa fonte defende que também se abra o inquérito que trata do caso “Dark Horse”.
As investigações apuram se houve irregularidades no financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi direcionado para a sua produção. Uma das suspeitas é que parte dos recursos possa ter sido destinada ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro.
Na quinta-feira, 3, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou que fechou um acordo de delação premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações. A empresa seria utilizada para repasses do banqueiro para a produção do filme. O certo, pelo raciocínio desse membro da Corte, é que tudo seja aberto para que a Justiça tenha o mínimo de equivalência possível.
Mendonça, que é o relator do Caso Master, pediu que as informações referentes a Moraes fossem avaliadas pelos demais integrantes da Corte em sessão “pública, transparente e presencial” do plenário. A data deve ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. Fachin prometeu anunciar “medidas cabíveis e necessárias” após a revelação das mensagens.
O presidente do Supremo tem aproveitado reuniões de rotina com os demais ministros para colher avaliações sobre o caso e a situação em que se encontra o Supremo. Conforme apurou a Broadcast, não houve e nem está prevista até o momento uma reunião entre todos os magistrados para tratar do tema.
Em fevereiro, um encontro reservado da Corte para debater relatórios da PF envolvendo o ministro Dias Toffoli gerou forte repercussão negativa perante a opinião pública e um clima de desconfiança entre os ministros após vazamentos com o teor das conversas. Após as deliberações sigilosas, Toffoli deixou a relatoria do Caso Master, que passou para Mendonça.
Há a expectativa dentro do STF de que os próximos dias trarão ainda mais ingredientes para o já conturbado ambiente da Corte. De um lado, há essa perspectiva de pronunciamento de Fachin. De outro, não está descartado que novos fatos sobre este ou outro caso, que também tenha impacto sobre a eleição presidencial de outubro, venham à tona por meio de novos vazamentos ou abertura de processos.
Não há qualquer sinal dentro do Supremo de que Moraes vá renunciar ao cargo. Pelas contas feitas até aqui, o ministro contaria com o apoio de Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Outros quatro membros da Corte, no entanto, seriam favoráveis à investigação: Mendonça, Fachin, Kássio Nunes Marques e Luiz Fux. Neste ambiente, o voto da ministra Cármen Lúcia é considerado ainda uma incógnita e pode ser crucial para o desempate de um lado ou de outro.
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