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SC precisa deixar ‘bolha bolsonarista’ e se reencontrar com o Brasil, diz Gelson Merísio

Candidato do PSB ao governo do Estado vê mudança no eleitorado

18 de setembro de 2026

Maria Magnabosco, especial para a Broadcast

O candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, Gelson Merísio, afirma que o bolsonarismo mantém sua hegemonia no Estado porque o eleitorado catarinense é mantido em uma “bolha”. Segundo ele, o governador e candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL), investe “uma barbaridade de R$ 1 bilhão” em mídia para manter essa “bolha fechada” e evitar que opiniões divergentes cheguem à base política da direita no Estado.

“Nós temos aqui o governador que investe uma barbaridade de R$ 1 bilhão em mídia, sempre preocupado em manter a bolha fechada, nunca permitindo que haja um debate consistente”, afirma Merísio ao Broadcast Político, citando um contrato bilionário de mídia para o governo do Estado firmado por Jorginho.

“Aquilo não é uma bolha, é um escudo. Não há diálogo com quem está fora, não entra informação diferente”, diz.

O candidato, que dá palanque no Estado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também acusa Jorginho de evitar uma aproximação institucional com o governo federal para não transmitir um “sinal trocado” ao seu eleitorado. Ele criticou o governador por não ir a Brasília dialogar com o presidente sobre melhorias para o Estado.

“Ele tem de manter a bolha isolada do mundo real para que não tenha nenhuma opinião divergente”, afirma.

Segundo o candidato, a manutenção desse ambiente de polarização prejudica Santa Catarina ao afastar o Estado do governo federal. “Nós temos de reencontrar Santa Catarina com o Brasil. Essa que é a verdade”, afirma. Para ele, o primeiro passo seria restabelecer o diálogo institucional entre os governos estadual e federal.

Cenário decorre de três fatores

Merísio avalia que a hegemonia bolsonarista em Santa Catarina não pode ser explicada apenas pela histórica força da direita no Estado.

Na avaliação de Merísio, três fatores se combinaram para consolidar a atual configuração política catarinense: a força histórica da direita convencional, a ascensão do bolsonarismo a partir de 2018 e a aproximação do eleitorado evangélico com esse campo político.

O candidato atribui parte desse movimento a erros cometidos pela própria esquerda. Segundo ele, os evangélicos que, em sua avaliação, historicamente tiveram maior proximidade com a esquerda no Estado, acabaram incorporados à base de Bolsonaro.

Apesar da força eleitoral desse campo, Merísio diz enxergar uma mudança na intensidade do apoio ao bolsonarismo. Para ele, o eleitor catarinense continua majoritariamente posicionado à direita, mas perdeu parte da identificação emocional que marcou 2018.

Na avaliação do candidato, essa mudança abre espaço para que adversários disputem votos antes praticamente inacessíveis. “Quando acaba a paixão, abre a porta para o argumento”, considera.

Apoio a Bolsonaro em 2018

A avaliação parte de um político que também aderiu à onda bolsonarista em Santa Catarina. Há oito anos, quando disputou o governo pelo PSD, Merísio declarou voto em Bolsonaro no primeiro turno.

Questionado sobre a decisão, ele afirma ao Broadcast Político que apoiou o então candidato à Presidência porque essa era a posição predominante entre seus próprios eleitores.

“A imensa maioria dos meus eleitores, as pessoas que tiveram comigo toda minha construção política, elas queriam naquele momento que eu apoiasse o Bolsonaro e eu apoiei. Eu fui coerente com as pessoas que estavam comigo. Eu não sou dono da verdade”, diz.

Merísio afirma que sua avaliação mudou depois da eleição. Para ele, Bolsonaro se mostrou no governo diferente daquele candidato que imaginava apoiar em 2018. O hoje pessebista foi especialmente crítico à condução da pandemia de covid-19 pelo ex-presidente, que classificou como “criminosa”.

“Milhares de pessoas morreram, inclusive aqui em Santa Catarina, por falta de um protocolo, por falta de uma atenção técnica. Ele politizou a pandemia”, diz.

Segundo Merísio, em 2022 já não havia possibilidade de repetir o apoio. Foi naquele ano que se aproximou de Lula, por intermédio do hoje candidato a senador Décio Lima (PT). “Chegou em 22, eu não tinha como apoiá-lo. Quais eram as opções? O Bolsonaro e o Lula”, afirma. “Foi então que eu conheci o presidente Lula e, mais do que uma opção única, passou a ser uma convicção.”

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