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Brasil está com as exportações suspensas de carnes bovina, frango, mel, pescados, ovos e demais produtos de origem animal
12 de setembro de 2026, às 07:08
Integrantes do governo brasileiro veem a restrição da União Europeia às carnes nacionais como “ruim”, mas descartam crise no setor, relatam fontes. Desde a última quinta-feira (3), o Brasil está com as exportações suspensas de carnes e produtos de origem animal para os países europeus. O País foi retirado, em maio deste ano, pela Comissão Europeia da lista de fornecedores ao bloco que atendem à legislação europeia quanto ao controle e uso de antimicrobianos.
A medida atinge as cadeias de carne bovina, frango, mel, pescados, ovos e demais produtos de origem animal. Uma ala do Executivo avalia que exportadores de carnes brasileiros têm outros mercados alternativos para exportação. Em reserva, um auxiliar próximo de Lula afirma que o setor possui capacidade de realocar as exportações e abrir novos mercados de forma ofensiva. Para o interlocutor, a situação pode ser administrada.
Embora o Executivo minimize os impactos, a indústria de carnes teme entraves duradouros ao mercado europeu, que é associado a melhores remunerações. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à UE.
Para a indústria avícola, a preocupação é sobretudo com o peito de frango, cujo peso e valor representa 25% do produto. A UE é o principal destino do peito de frango brasileiro e exportadores afirmam não enxergar canais imediatos de redirecionamento do produto. Para os exportadores de carne bovina, um dos principais impactos é a perda do acesso a um mercado com margens superiores a outros mercados. O preço médio pago pela União Europeia é cerca de US$ 3 mil por tonelada acima do mercado internacional.
O governo brasileiro busca reverter a exclusão e evitar longas interrupções no fluxo comercial. A UE quer garantias de que as carnes exportadas ao bloco estejam livres de determinados antimicrobianos e em conformidade com o regulamento europeu. Em resposta às exigências, o Brasil adotou, desde 1º de julho, novos procedimentos de controle do uso de antimicrobianos nas cadeias de proteínas e de produtos de origem animal, para atender à legislação europeia. O bloco informou que faria a validação desses procedimentos in loco, por meio de inspeções no País. A primeira auditoria foi encerrada na semana passada, com a aprovação dos controles adotados pelo Brasil pelas autoridades sanitárias europeias na cadeia avícola e de mel do Brasil. Não há prazo para conclusão do processo e consequente retomada das exportações.
Apesar do pedido do governo brasileiro à União Europeia (UE) de manutenção do fluxo comercial de carnes ao bloco, o Brasil deve ficar suspenso do comércio de proteínas ao longo dos próximos meses. Para frango e mel, a exclusão do Brasil da lista pode ser revertida em novembro, após o resultado da auditoria europeia na produção nacional e análise pelas instâncias competentes. Já a carne bovina brasileira pode ficar fora do bloco europeu até meados de 2028, dado o tempo de adaptação da cadeia bovina às exigências em virtude do ciclo de vida mais longo dos animais.
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