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Credores querem que a estatal faça um injeção de US$ 3 bilhões na petroquímica
26 de setembro de 2026, às 07:00
A Braskem está discutindo uma contraproposta para ser apresentada aos credores detentores de títulos de dívida (bondholders) emitidos pela companhia no exterior. Conforme a Broadcast antecipou, esses credores exigiram da Petrobras aporte de US$ 3 bilhões na petroquímica. O envio ainda deve levar alguns dias e tal contraproposta está sendo elaborada, envolvendo uma ampla discussão, e deve conter uma estrutura diferente das anteriores, disse uma das fontes próxima às negociações, que não elaborou.
Outras fontes, próximas à companhia, dizem que uma das ideias é constar no documento a possibilidade de um follow on (oferta subsequente de ações em bolsa), a ser realizado no caso da companhia não atingir determinados índices financeiros após um período de cinco anos. Nos termos propostos pelos credores na última semana, o aporte bilionário viria da estatal caso os índices não fossem atingidos em dois anos. Tanto o valor pedido, quanto o prazo foram considerados inviáveis.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na quinta-feira, 24, que não há intenção da empresa de realizar qualquer aporte que possa levar à estatização da Braskem, portanto, não se pode “falar em Petrobras aportar recursos sem falar em parceiros em geral, acionistas em geral”. A estatal tem 47,03% do capital votante da petroquímica e o fundo de participações Shine, da IG4 Capital, o controle.
Mesmo tendo elevado a temperatura das discussões nos últimos dias, os bondholders aceitaram esticar um pouco mais o compromisso de confidencialidade (NDA) quanto aos detalhes das negociações e seguir na mesa de discussões. O prazo, que antes vencia na terça-feira, 22, foi estendido para a próxima semana. Os bondholders são o maior grupo de credores da Braskem, carregando cerca de US$ 7 bilhões em créditos, de um total de pouco mais de US$ 11 bilhões que serão renegociados por meio de um processo de recuperação extrajudicial.
Há meses, desde o início das conversas com a empresa, os bondholders exigem um compromisso firme dos acionistas de um aporte de recursos, alegando a insustentabilidade da companhia sem injeção de recursos. A pressão maior recai sobre a Petrobras.
A Braskem defende que precisa de cinco anos para gerar caixa, a partir de uma revisão de sua operação, buscando eficiência em contratos e de logística, incluindo os que possam ser discutidos com a Petrobras, além da ampliação de sua produção com base em gás, matéria-prima mais barata do que a Nafta e que já não é mais utilizada em várias petroquímicas do mundo.
A visão de analistas do mercado, que não participam das negociações, é a de que a Braskem dificilmente escapará de uma injeção de capital, mais adiante, para se tornar sustentável.
Para além do aporte, a temperatura subiu nesta semana a partir de uma decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que deferiu tutela de urgência cautelar encaminhada por esses credores e debenturistas para o congelamento do envio de recursos da Braskem para a sua subsidiária mexicana, a Braskem Idesa.
O desembolso de recursos da Braskem na subsidiária mexicana faz parte do plano de recuperação judicial protocolado em agosto na Justiça norte-americana, no qual se comprometeu a aportar US$ 476 milhões, dos quais US$ 126 milhões já haviam sido desembolsados, US$ 230 imediatamente após o processo ser aceito pela Justiça e US$ 49 milhões em parcela paga recentemente. Com o bloqueio, devem ficar represados cerca US$ 70 milhões que seriam desembolsados nos próximos meses.
No pedido encaminhado à Justiça brasileira, esses credores calcularam que, no total, a Braskem pode comprometer cerca de US$ 800 milhões. Isso porque, na conversão de dívida em ações prevista no plano de recuperação judicial da Braskem Idesa, existe uma opção de aquisição dessas ações pela petroquímica brasileira em cinco anos.
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