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Flávio entra como favorito no 2º turno e fortalecido por eleição no Senado, diz CEO da Indexa Pesquisas

O ponto central para o segundo turno será como os 8% que optaram pela terceira via irão se comportar e para onde esses votos irão migrar

6 de outubro de 2026, às 07:08

Flávio Bolsonaro e Lula

Mariana Ribas

Impulsionado por uma onda de ‘voto útil’ de última hora, o senador Flávio Bolsonaro (PL) inicia o segundo turno como favorito na disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é de Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas, que aponta a migração de eleitores da terceira via, na reta final do primeiro turno, já sinalizada na véspera pelas pesquisas, como o principal fator para a vantagem numérica do candidato do PL no último domingo.

Com 100% das seções totalizadas, o senador Flávio somou 56.104.503 votos (47,03% dos votos válidos) e Lula teve 53.879.538 votos (45,16%), uma diferença entre eles de 2.224.965 votos (1,87 pontos porcentuais). “O Flávio começa o segundo turno como favorito, porque chegou numericamente na frente e porque tem uma militância muito mais engajada, fortalecida com as vitórias expressivas que teve no Senado”, avalia Freres.

Para ele, as pesquisas divulgadas na véspera do primeiro turno já mostravam a possibilidade de vantagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Havia, portanto, um movimento do eleitorado no sentido de validar mais a candidatura do Flávio a partir dos eleitores da terceira via, cujo apoio vinha diminuindo constantemente. Ele já estava pregando o voto útil”, explica.

A última pesquisa do Indexa/Broadcast, divulgada na quarta-feira, 30 de setembro, mostrava Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, ante 34% do senador do PL – uma distância de cinco pontos porcentuais. Três dias depois, a pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada no sábado (3), já mostrava um empate técnico: o petista tinha 45% dos votos válidos contra 42% de Bolsonaro.

Além disso, as pesquisas vinham mostrando que a soma da terceira via representava cerca de 12%, mas terminou o primeiro turno com 8%, explica o especialista. “Grande parte desse eleitorado acabou migrando para o voto útil em Flávio. Portanto, esse movimento não é tão surpreendente”, afirma.

Na avaliação de Freres, o ponto central para o segundo turno será como os 8% que optaram pela terceira via irão se comportar e para onde esses votos irão migrar. “Caberá a Flávio buscar esse eleitor com o discurso antipetista e fortalecer a narrativa do voto contra o governo. Ao Lula, por sua vez, cabe um discurso mais ao centro para reconquistar esse eleitor, que foi quem lhe deu a vitória em 2022”, destaca.

Ele complementa que, para esse eleitor, valores como responsabilidade fiscal, pautas mais liberais e a questão da segurança pública têm peso. “Lula terá o desafio de dialogar com esse público para que o voto não migre para Flávio e, principalmente, para que não se torne uma abstenção. A abstenção, que já foi a maior da história no primeiro turno, pode ter um papel significativo na definição do resultado do segundo turno”, diz.

Expectativa do segundo turno

O CEO da Indexa avalia que a campanha de Flávio está mais fortalecida no segundo turno, porque o cenário tem se desenhado de forma mais clara e o candidato do PL elegeu a maior parte dos senadores e governadores aliados, “criando um clima de vitória”. Por outro lado, ele afirma que o fato de não haver segundo turno na maior parte do País tende a gerar uma eleição mais “morna” e focada nos dois candidatos nacionais, Lula e Flávio. Na avaliação do CEO da Indexa, isso pode fazer com que o bônus da vitória da direita no primeiro turno não seja tão expressivo no segundo turno quanto seria com campanhas mais engajadas em diversas praças.

Freres acredita que o primeiro turno mostrou uma polarização ainda maior e que o segundo turno será ainda mais estreito do que a disputa nas eleições de 2022, em que Lula concorreu com o pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL).

Pesquisas erram?

O resultado do primeiro turno contrastou com o que as pesquisas de intenção de voto vinham indicando, com Lula à frente. Segundo Freres, as pesquisas são um retrato do momento e não erram, mas os resultados indicados podem mudar em meio à dinâmica da era das redes sociais, rapidez da internet e do mundo digital. “Para termos um retrato perfeito, talvez nem a pesquisa de boca de urna conseguiria captar. Seria necessário fazer boca de urna de hora em hora, porque a campanha continua na internet, no celular, com as pessoas sendo pressionadas a tomar a decisão do voto útil”, disse, ao explicar que os números estão em movimento a todo tempo.

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