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Estrutura correta pode reduzir em 40% custo de sucessão de imóveis nos EUA

A abertura de empresas para registrar o ativo pode resultar em menos impostos

30 de setembro de 2026, às 16:44

imóves nos EUA
Prédios em Miami, Flórida, nos EUA; Daniel Tonello/Divulgação

Por Jean Mendes

A forma como brasileiros estruturam a compra de imóveis nos Estados Unidos pode ter impacto sobre custos, rendimento e tributação do patrimônio, segundo especialistas. A criação de empresas naquele país, como uma Limited Liability Company (LLC) sob uma holding, pode gerar uma redução de até 40% no custo da sucessão, de acordo com Ana Luiza Albuquerque, diretora comercial e sócia da Astride Inc., escritório especializado em contabilidade e tributação internacional.

O tema ganha relevância com o aumento da presença de brasileiros no mercado imobiliário americano. A Flórida se destaca na preferência quando o assunto é buscar esse tipo de diversificação. O Brasil foi a terceira nação com investidores que mais compraram imóveis naquele Estado em 2025, segundo dados da Florida Realtors. Movimentaram US$ 762 milhões em aquisições imobiliárias, atrás de Canadá e Colômbia.

Segundo Thaise Saeter Rytenband, sócia e fundadora da Convex Research e do multi family office Convex Wealth, boa parte das compras está relacionada a propriedades para locação ou estadias de curta duração.

Para entender a estrutura de impostos nos EUA, especialmente no contexto de imóveis, é importante considerar as implicações fiscais tanto para pessoas físicas quanto para estruturas empresariais. Quando um imóvel é mantido no nome de uma pessoa física, há várias obrigações fiscais significativas. Por exemplo, em caso de falecimento do proprietário, cerca de um terço do valor do imóvel pode ser destinado ao Fisco americano devido ao Imposto sobre Herança, que tem uma isenção de apenas US$ 60 mil e alíquotas que variam de 18% a 40% sobre o valor que excede essa isenção.

Além disso, a venda do imóvel está sujeita ao FIRPTA (Foreign Investment in Real Property Tax Act), que retém 15% do valor bruto, mesmo que não haja lucro, e o processo de inventário pode levar de 6 a 12 meses, durante o qual o imóvel fica travado.

Por outro lado, ao estruturar o imóvel sob uma entidade como uma LLC, muitas dessas obrigações podem ser mitigadas. Essa estrutura elimina o imposto de herança, o FIRPTA e a necessidade de inventário, transferindo o imóvel diretamente para os herdeiros sem essas complicações. Além disso, a estrutura empresarial oferece proteção contra riscos jurídicos e permite o abatimento das despesas do imóvel.

As alíquotas de imposto de renda sobre o lucro do aluguel e sobre o ganho na venda variam, mas a estrutura empresarial pode oferecer vantagens fiscais significativas, dependendo do Estado e da configuração específica da empresa.

“Muitos investidores chegam à Flórida e acabam comprando um imóvel por impulso, em seu CPF, sem fazer uma estrutura jurídica adequada. Isso acaba afetando o rendimento do ativo, pois 30% do valor pago fica para o governo. Além disso, a partir de US$ 60 mil em ativos americanos, já existe a incidência de Imposto sobre Herança. Em uma LLC, isso não acontece”, afirma Albuquerque.

Estados Unidos versus Brasil

A CEO da Convex afirma que investir no exterior não significa apostar contra o Brasil, mas adotar uma estratégia de proteção patrimonial. “No final do dia, com o rendimento desse investimento, parte dos recursos volta para o Brasil”, afirma Saeter.

Ela afirma que o primeiro passo para o investidor brasileiro diversificar é a aplicação em ativos mais líquidos, como ações americanas. Em uma segunda etapa, o investidor pode considerar os de menor liquidez, como casas e apartamentos.

Onde investir

Camila Paiva, corretora de imóveis especializada no mercado imobiliário da Flórida, explica que o investidor não deve comprar um imóvel sem antes analisar a localidade. Segundo ela, é necessário avaliar o entorno do empreendimento para entender quais são os recursos de lazer e a infraestrutura disponíveis na região. Outro ponto importante antes da compra de um imóvel na planta é conhecer a construtora responsável pela obra, seu histórico e sua capacidade de entrega.

“Um ponto importante para o investidor que pretende adquirir um imóvel em construção é analisar não apenas o empreendimento, mas também quem está por trás dele. A lógica é bastante parecida com o que acontece no Brasil. Ao comprar um imóvel na planta, seja no Brasil ou nos EUA, o investidor está assumindo um compromisso financeiro antes de receber o produto final. Por isso, é fundamental fazer uma análise criteriosa da incorporadora ou developer”, afirma Paiva.

A especialista reforça também que é importante verificar o histórico de projetos já entregues, a capacidade financeira do grupo, quem são os parceiros envolvidos, como a construção será financiada, se existe um porcentual mínimo de vendas necessário para o projeto avançar e quais são as condições previstas no contrato caso a obra atrase ou o empreendimento não seja concluído. “Assim como no Brasil, nos Estados Unidos também podem existir atrasos de construção, alterações de cronograma e projetos que dependem de determinadas condições comerciais e financeiras para avançar”, finaliza Paiva.

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