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Petrobras duplica valor de mercado em 2026

Empresa chega às vésperas do 2º turno como favorita na Bolsa

22 de outubro de 2026, às 07:00

Foto: André Ribeiros/Agência Petrobras

Luísa Laval

Beneficiada pelo fluxo de estrangeiros, pelo avanço firme dos preços do petróleo e ainda pela expectativa de mudança de governo, as ações da Petrobras chegam às vésperas do segundo turno das eleições como favoritas entre os investidores. A estatal, que dobrou o valor de mercado desde o início do ano e chegou a alcançar a cifra recorde de R$ 819,8 bilhões na semana passada, acumula ganhos de 108,79% nas ações ordinárias e de 99,08% nas preferenciais, o melhor desempenho entre as ações listadas no Ibovespa.

Segundo especialistas ouvidos pela Broadcast, os resultados das eleições no próximo domingo, 25, podem influenciar o movimento, mas a avaliação é de que a companhia já adquiriu autonomia suficiente para sustentar seus ganhos sem depender exclusivamente do cenário político. A companhia ainda tem um “um beta eleitoral” (volatilidade), mas menor do que no passado.

“Se pegarmos aquela Petrobras lá de 2014, 2016, cenários políticos eleitorais diversos faziam o preço da ação subir ou cair 20%, 30% em um pregão. Isso não acontece mais, essa velocidade diminuiu muito”, aponta o gestor da Nero Capital, Daniel Utsch. Na avaliação dele, a mudança tem relação com a desalavancagem e o perfil mais saudável da companhia. “Hoje é uma empresa desalavancada, pagadora de dividendos, um negócio cuja rentabilidade e geração de caixa depende do preço de petróleo, mas no geral é uma empresa bastante saudável.”

Ainda assim, a conexão política não pode ser ignorada. Utsch ressalta que o mercado vê como positivo o cenário sem reeleição presidencial, ponderando que o tema perdeu potência em relação a anos anteriores, mas não desapareceu. A percepção sobre intervenções foi menor do que o esperado por parte do mercado no atual governo, como projetos e movimentos que não avançaram, como um anúncio de geração eólica que “não saiu do papel”, além de iniciativas como uma recompra de ativos que “não acontece”.

A companhia se descola de outras exportadoras de commodities, como a Vale e a CSN, que se destacam no Ibovespa entre as quedas do ano. Apesar de a Petrobras também ser um ativo precificado em dólar, o papel tem um vetor adicional de suporte: o Brent, fator dominante para a valorização da ação na Bolsa.

A escalada da commodity após o conflito envolvendo o Irã elevou de forma relevante as perspectivas de caixa e dividendos para a estatal. Nesta terça-feira, por exemplo, o barril do Brent chegou a ultrapassar o nível de US$ 110, operando perto do maior nível em cinco meses.

Resultados do terceiro trimestre

O BTG Pactual reforça o otimismo, mas avalia que o mercado está “cada vez mais conservador” no que diz respeito à expectativa de dividendos da Petrobras no terceiro trimestre. O banco estima distribuição entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões, acima dos US$ 3,2 bilhões esperados pelo mercado, o que implicaria rendimento médio trimestral de 2,4% a 2,7%.

Em relatório recente, o banco destaca que o ritmo de crescimento da produção segue forte, com a média do ano já acima das projeções (guidance), o que aumenta a chance de a companhia superar o teto da projeção de 2026. Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha dizem que o mercado terá atenção especial para o plano estratégico da empresa, que será divulgado em novembro.

Na visão do mercado, o rali da estatal pode continuar, apesar da volatilidade típica de um ano eleitoral. “Se não houver uma resolução no conflito no Irã, queda do petróleo ou se resultado eleitoral não for negativo, não vemos razão para a realização”, pontua Utsch, da Nero, acrescentando que, mantidas as condições, a ação “ainda teria bastante potencial”.

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