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Sem pressa, Lula deve bater martelo sobre ministérios a partir de dezembro

As avaliações são de que o presidente deve apresentar nomes a conta-gotas

29 de outubro de 2026, às 15:14

ministérios
Foto: Ricardo Stuckert - 27/10/2026

Célia Froufe, Gabriel Hirabahasi e Isadora Duarte

Sem pressa para apresentar a cara do seu último mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ainda ouvir interlocutores e avaliar cenários antes de escolher quais peças usará a partir de 2027, apurou a Broadcast. Pelo andamento das conversas, que começaram apenas na tarde de terça-feira, 27, e de forma ainda preliminar, não é esperado que uma decisão venha antes de dezembro. Além disso, as avaliações são de que o chefe do Executivo deve apresentar nomes para os ministérios a conta-gotas – e não necessariamente em um anúncio amplo -, fazendo valer cada carta na manga que tiver para negociar com partidos da base e, principalmente, do centrão.

Após a vitória de Lula no último domingo (25), a especulação sobre postulantes à Esplanada dos Ministérios no novo mandato cresceu em Brasília nos últimos dias. São vários nomes na bolsa de apostas, mas ainda longe de uma decisão do presidente sobre o tema, avaliam integrantes do governo e interlocutores da campanha vencedora. No momento, as movimentações são mais da parte dos que desejam compor o novo governo, avaliam fontes.

A expectativa é de que novos nomes, sobretudo para as pastas do primeiro escalão – caso do Ministério da Fazenda e da Casa Civil – sejam anunciados a partir de dezembro. O presidente pode, segundo as fontes, bater o martelo final até os últimos dias do ano – como fez em 2022, quando anunciou uma leva de ministros no dia 29 – dois dias antes da posse. Neste novo mandato, a posse será em 5 de janeiro.

Até lá, políticos do centrão, articuladores do governo e interlocutores próximos ao presidente devem levar a Lula considerações sobre a formação do novo governo, perfil dos ministérios e possíveis cotados. Uma fonte pondera que, ao montar as candidaturas aos Estados, Lula teria sinalizado participação no governo, se reeleito, aos deputados, senadores e ministros que “sacrificaram” seus mandatos, mas sem compromissos específicos de pastas e cargos.

O presidente ainda não fez nenhum convite oficial para ministros. Até ontem, 27, não havia falado diretamente sobre a montagem do governo com auxiliares. Na terça, ele se reuniu com alguns aliados mais próximos para discutir o desenho da equipe do seu quarto mandato. Há, ainda, pouca coisa definida.

O nome mais cotado para o Ministério da Fazenda, no momento, é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles. Lula não o convidou oficialmente, mas fez chegar a alguns interlocutores que gostaria que o governador estivesse à frente da pasta a partir do ano que vem. Fonteles já indicou a alguns aliados que toparia o convite, mesmo tendo que renunciar ao mandato para o qual acabou de ser reeleito no Piauí. Outro nome que Lula ventilou para a Fazenda é o do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Dario Durigan, que comanda a pasta hoje e também é cogitado para permanecer no cargo, tem sido cuidadoso ao falar de sua atuação, argumentando que estará no posto até o fim do ano e que ainda não conversou com o presidente sobre seu destino a partir de 2027. Há cenários que colocam o número 1 da Fazenda à frente do Banco do Brasil no quarto mandato de Lula.

A Casa Civil tende a ser o ministério que dará mais dor de cabeça ao presidente nesse processo de montagem do novo governo. Fernando Haddad era dado como quase certo para o cargo antes da campanha. O resultado eleitoral em São Paulo o enfraqueceu, mas auxiliares próximos de Lula dizem que o ex-ministro da Fazenda continua sendo o principal nome, até o momento, para o cargo.

O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), porém, teve um papel importante na coordenação da campanha no segundo turno e tem sido apontado como um candidato forte para a vaga. A escolha do presidente será, de acordo com um aliado, entre a fidelidade a um quadro antigo do partido e que se doou na campanha e uma peça nova, mas de grande impacto para os novos eleitores do PT.

Em 2022, os primeiros cinco ministros a serem anunciados foram: Fernando Haddad, para a Fazenda; Rui Costa, para a Casa Civil; Flávio Dino, para a Justiça; José Múcio, para a Defesa; e Mauro Vieira, para o Ministério das Relações Exteriores. São algumas das pastas com mais poder político e que figuram no núcleo duro das decisões. Lula deixou para um segundo momento o anúncio de ministros de áreas que costumam ser cobiçadas pelo centrão, em especial por terem mais recursos disponíveis.

Novo governo

No domingo, no seu primeiro discurso depois de reeleito, Lula afirmou que fará um novo governo. A fala foi lida pelo centrão como possibilidade de maior participação no governo e uma gestão realmente voltada a uma frente ampla. A expectativa é de concessão de ministérios fortes, com espaço e orçamentos robustos na Esplanada e de estatais. Para políticos experientes do centrão, o presidente pode ainda fazer concessões graduais aos partidos do espectro político a fim de manter “cartas na manga” para eventuais negociações.

Vale lembrar que o presidente tem exercitado a paciência ultimamente. Além de não ter mostrado pressa para emplacar o advogado-geral da União, Jorge Messias, em uma vaga do Supremo Tribunal Federal (STF) depois que sua indicação foi rejeitada pelo Senado, mantém postos abertos no Banco Central e em agências reguladoras há meses.

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