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Flávio Bolsonaro critica mistura de etanol na gasolina e setor reage com nota dura

Entidades lembra que o próprio Flávio participou da Lei do Combustível do Futuro

21 de agosto de 2026, às 17:28

***EMBARGADO*** 18-09-2023 - PIRACICABA - SP / EXCLUSIVO ECONOMIA OE / ESPECIAL CARBONO ZERO / RAIZEN / ETANOL SEGUNDA GERACAO - Colheita mecanizada de cana-de -açucar em plantaçao da Raízen em Piracicaba-SP. Bioparque da empresa no município do interior do estado de São Paulo produz etanol de segunda geração extraído dobagaço da cana descartado da produção do etanol de primeira geração. TAGS ENERGIA; COMBUSTIVEL; COLHEITADEIRA; COLHEDORA FOTO - DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Leandro Silveira

Entidades representantes dos produtores de açúcar e etanol rebateram nesta sexta-feira a declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina à chamada “reduflação” – prática de reduzir a quantidade de um produto mantendo o preço de venda – e afirmou que a proporção terá de ser revista em um eventual governo.

“A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas”, diz a nota assinada pelas principais entidades do setor: União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a Bioenergia Brasil, a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).

As entidades também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro, que abriu caminho para a elevação da mistura, foi aprovada pelo Senado em 2024 com a participação de Flávio Bolsonaro. “Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão”, afirmaram.

Durante live nesta quinta-feira, 20, Flávio disse que a proporção de etanol na gasolina deveria ser discutida e comparou a mudança à redução da quantidade de produtos vendidos pelo mesmo preço, como barras de chocolate que encolhem de tamanho. “A gasolina também: uma parte virou etanol. Nem o combustível esse governo está poupando”, disse. O senador também afirmou que “pagou pela gasolina, tem que levar gasolina” e citou a discussão sobre possíveis danos aos motores.

Na nota, as entidades sustentam que o E32 foi implementado com base em avaliações técnicas e defendem que a mistura não prejudica o desempenho dos veículos. Segundo o setor, o Instituto Mauá de Tecnologia testou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, com misturas de 27%, 30% e 32% de etanol, em laboratório e pista.

Os testes foram acompanhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fabricantes e importadores de veículos e motocicletas. Conforme as entidades, os ensaios apontaram “plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor”.

A mistura de 32% de etanol anidro na gasolina passou a vigorar em 1º de agosto, por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, elevou para até 35% o limite da mistura.

As entidades também defenderam os efeitos econômicos e energéticos do biocombustível. O etanol é produzido em mais de mil municípios brasileiros e, segundo o setor, contribui para empregos, economia ao consumidor e soberania energética. “Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética”, afirmaram. O setor concluiu a manifestação dizendo que seguirá defendendo “com fatos e ciência” o uso de etanol e o patrimônio energético construído pelo Brasil.

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