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Banco Central escapa do debate eleitoral

Trabalho do BC equivale ao de um goleiro num time de futebol: se não for lembrado pela torcida é sinal de que está fazendo um bom trabalho

23 de setembro de 2026

Célia Froufe

No mundo ideal, bancos centrais estão fora das pautas políticas de campanhas eleitorais. Quanto menos a população se importar com o trabalho do órgão e conhecer nominalmente seus dirigentes, mais tranquila a economia tende a estar, o que indicaria um bom trabalho feito pela instituição.

Todos sabem que o governo gostaria que a taxa básica de juros estivesse mais baixa. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem pedindo continuidade da trajetória de queda da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, com recuos a conta-gotas. Para qualquer político, o ritmo de baixas, naturalmente, é sempre mais lento do que o desejado.

A Lula foi explicado, porém, que o trabalho do BC é equivalente ao de um goleiro num time de futebol. Trata-se de uma peça normalmente pouco lembrada pelo treinador e a torcida, mas para quem todos os dedos de acusação se voltam se a equipe toma um gol. O trabalho do BC, nesse contexto, tem sido o de “evitar tomar frango”.

Lula tem admitido que o custo de vida está alto, apesar de ele próprio e boa parte da equipe econômica – incluindo Dario Durigan, que vem dividindo o comando da Fazenda com a área econômica da campanha – virem enfatizando que a inflação acumulada em quatro anos é a menor desde o Plano Real.

O juro alto no País, mas em trajetória de queda, é a arma que o BC tem para poder entregar justamente uma inflação bem comportada e com deflação em alimentos. O presidente está cansado de saber desse argumento, pois ouve essa conversa desde seu primeiro mandato, quando Henrique Meirelles era o presidente do BC.

Muito provavelmente, o juro alto só não entrou diretamente na pauta de campanha porque há muitos e muitos outros assuntos desviando a atenção do eleitor. Não se pode esquecer o que aconteceu em outubro de 2014, quando a então candidata Marina Silva à Presidência da República colocou o BC no centro do debate, com imagens fortes de pratos sendo retirados da mesa dos mais pobres. No último trimestre daquele ano, a Selic estava em 11,25% ao ano – mais de 2 pontos porcentuais inferior ao patamar de hoje.

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