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Ex-eleitor de Bolsonaro, candidato de Lula em SC vê governador como CEO do Estado

Gelson Merísio (PSB) afirma não se considerar um político de esquerda

18 de setembro de 2026

Por Maria Magnabosco, especial para a Broadcast

Escolhido pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo de Santa Catarina, Gelson Merísio (PSB) afirma não se considerar um político de esquerda e avalia que, do ponto de vista econômico, a atual gestão petista tampouco pode ser classificada dessa forma. “Fazendo uma leitura clara, não é uma gestão de esquerda. É uma gestão de mercado”, diz Merísio ao Broadcast Político.

Ele é o anfitrião do comício que Lula faz neste sábado, 19, em Florianópolis. Com trajetória política construída na centro-direita e passagem pelo conselho de administração da JBS, Merísio é a aposta do PT para ampliar o alcance da campanha presidencial entre eleitores que tradicionalmente resistem à esquerda em Santa Catarina.

No segundo turno de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 69,27% dos votos válidos em Santa Catarina, ante 30,73% de Lula. Quatro anos depois, o cenário segue desfavorável ao petista. Pesquisa Real Time divulgada nesta quinta-feira, 17, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos totais no primeiro turno, contra 26% de Lula. A meta do PT é conquistar ao menos 35% do eleitorado no Estado no dia 4 de outubro.

Nos bastidores, a escolha de Merísio chegou a ser comparada à composição nacional com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB): um nome com trânsito no empresariado e na centro-direita tradicional, capaz de dialogar com eleitores que historicamente resistem à esquerda.

Em Santa Catarina, a chapa do PSB encabeçada por Merísio disputa o governo em uma aliança com PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede e PDT. A candidata a vice é Ângela Albino (PDT).

Merísio afirma que sua identificação é maior com a pessoa do presidente Lula do que com o projeto ideológico do PT. “A minha origem não é de esquerda”, diz.

Mudança de visão econômica

O candidato afirma, porém, ter revisto parte de suas convicções econômicas nos últimos anos. Em 2018, quando chegou ao segundo turno pelo PSD, declarou voto em Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, aproximou-se de Lula por intermédio de Décio Lima (PT) e coordenou a campanha do petista ao governo de Santa Catarina.

“Eu sou 100% favorável ao fim da escala 6 por 1, à tarifa zero no transporte público, que eu acredito, e à prioridade para os pobres. Eu entendo que é eles que, de fato, importam para o governo. Classe média, classe média alta, toca a sua vida. Agora, um pobre, um invisível lá da ponta, precisa de governo. Isso tudo são visões de esquerda, mas a minha atuação política sempre foi mais ao centro”, afirma.

O candidato cita a desestatização da Eletrobras (agora Axia) como um dos episódios que o fizeram mudar de posição sobre o papel do Estado na economia e critica também a venda da BR Distribuidora (atual Vibra Energia).

Merísio reprova ainda o atual nível dos juros e argumenta que a Selic permanece elevada demais por muito tempo. Apesar disso, elogia a independência do Banco Central. “A independência é algo que foi conseguido pelo Banco Central, foi uma evolução, muito embora ele seja administrado por pessoas que podem cometer erros”, diz.

Administração requer sensibilidade

Administrador de empresas e empresário, Merísio também integrou o conselho de administração da JBS antes de retornar à disputa eleitoral. Na conversa com o Broadcast Político, ele compara o papel de um governador ao de um executivo de uma empresa. “O governador é o CEO do Estado, ele tem de montar uma equipe de qualidade.”

O candidato pondera, contudo, que a lógica empresarial não pode ser simplesmente transferida para a administração pública. Segundo ele, enquanto o desempenho de uma empresa é medido principalmente por resultados econômicos, a atuação de um governo deve ser avaliada pela qualidade de vida da população.

“A diferença de um CEO de uma empresa para um governador é a sensibilidade, é o pulso das pessoas. O resultado da empresa é econômico; o do Estado é a satisfação das pessoas, é bem-estar social”, afirma.

Palanque amplo

Para o presidente do PT catarinense, deputado estadual Fabiano da Luz, a composição com Merísio busca justamente ampliar a capacidade de diálogo de Lula em Santa Catarina para além do eleitorado tradicional de esquerda.

Merísio, por sua vez, sustenta que a aproximação com o presidente não significa adesão automática às posições do PT. Segundo ele, os dois já divergiram em conversas nos últimos quatro anos, e a capacidade de Lula de ouvir posições diferentes foi justamente um dos fatores que contribuíram para a aproximação.

“Eu não gosto da unanimidade, eu não gosto do seguir por seguir”, afirma. “Ele ouve o contraditório, ele avalia o contraditório.”

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