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Pesos-pesados de Wall Street entram na mira dos hackers; Google alerta para onda de ciberataques

Google detectou campanha de ataques direcionada a empresas de private equity, escritórios de advocacia e agências de classificação de risco

7 de agosto de 2026

Aramis Merki II

A artilharia pesada de criminosos digitais, agora reforçada pelas ferramentas de inteligência artificial, se voltou recentemente para alguns dos ativos mais valiosos do mercado financeiro dos Estados Unidos. O Google identificou uma campanha de ataques direcionada a empresas americanas de private equity, escritórios de advocacia e agências de classificação de risco, indicando uma estratégia voltada ao roubo de informações confidenciais sobre fusões, aquisições e alocação de capital.

Segundo reportagem da Reuters, entre alvos dos hackers estão organizações como Blackstone, Bridgewater Associates, Apollo Global Management, CME Group e Moody’s. Os ataques se valeram de ligações telefônicas e outras técnicas de engenharia social para obter credenciais de acesso de funcionários dessas empresas.

O avanço dessas campanhas acompanha uma mudança no perfil dos ataques observada pela empresa especializada em cibersegurança CrowdStrike. Segundo o 2026 Threat Hunting Report, grupos especializados em invasões têm recorrido cada vez mais à engenharia social – conjunto de técnicas de manipulação psicológica usadas para convencer funcionários a revelar senhas, códigos de autenticação ou outras informações sensíveis.

Com a escalada de ameaças, o setor financeiro tenta responder. Em um sinal da prioridade crescente dada à segurança cibernética, o Bank of America anunciou na última semana a aquisição da britânica MDSec Consulting, especializada em segurança da informação. É a primeira compra do banco em cinco anos, em um movimento que evidencia o aumento dos investimentos do setor financeiro em proteção digital.

A ofensiva ocorre paralelamente ao aumento dos ataques contra infraestruturas críticas nos Estados Unidos. Nos últimos dias, pelo menos sete estados americanos registraram tentativas de invasão a sistemas de abastecimento de água. Órgãos federais como a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) alertaram que grupos ligados ao Irã estariam concentrando esforços contra sistemas de água, saneamento e outros controles industriais, embora a atribuição oficial ainda permaneça sob investigação.

Como resposta, o estado de Nova York anunciou nesta quinta-feira, 6, um reforço de US$ 9 milhões para que a companhia de água local reforce as suas defesas digitai.

A preocupação também se espalha pela Europa. Nos últimos meses, governos europeus intensificaram medidas para proteger setores considerados essenciais, como energia, telecomunicações, transportes e serviços públicos, diante do aumento das tentativas de intrusão contra infraestruturas críticas. Em dezembro de 2025, por exemplo, a Polônia registrou um ataque de grande porte contra sua infraestrutura energética, episódio que reforçou os esforços da União Europeia para ampliar a cooperação entre governos e empresas e fortalecer a resiliência digital de ativos estratégicos.

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