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Disputa pelo comando da companhia virou tema da série Anita, da Globoplay
30 de julho de 2026
Júlia Pestana
Depois de arrumar a casa, a Pernambucanas quer voltar a competir. A varejista inicia uma nova fase com a chegada do ex-CEO do GPA Marcelo Pimentel à presidência e de Ernane Abrahão à diretoria financeira (CFO). A missão da dupla será transformar a reorganização dos últimos anos em crescimento rentável e devolver à companhia o protagonismo perdido no varejo.
Para o presidente do conselho administrativo, Carlos Henrique Bandeira de Mello Júnior, o “nome do jogo” agora é rentabilidade, lucratividade e eficiência operacional, e não mais a busca por escala a qualquer custo. “Queremos levar a Pernambucanas de volta a um lugar de onde ela não deveria ter saído”, afirmou em entrevista a Broadcast.
Além da troca no comando, a nova estratégia é baseada em um movimento de “back to basics”, com foco em melhorar a execução da operação e extrair mais produtividade das lojas existentes. Hoje, a Pernambucanas opera mais de 470 lojas, quase todas em imóveis de terceiros, e a expansão da rede deixou de ser prioridade.
Contas no vermelho
A nova estratégia, porém, parte de uma situação financeira ainda delicada. O balanço de 2025 mostrou prejuízo de R$ 465 milhões, o terceiro ano consecutivo de perdas, além de capital circulante líquido negativo de R$ 698 milhões na controladora. Em março deste ano, a PwC voltou a incluir em seu parecer um alerta de incerteza relevante sobre a continuidade operacional da companhia.
Segundo a administração, as dificuldades têm origem no ciclo de expansão acelerada entre 2019 e 2023, quando a varejista inaugurou mais de 200 lojas com a expectativa de que um crescimento mais acelerado abrisse caminho para uma futura abertura de capital.
O plano, porém, não se concretizou. Sem o IPO, a companhia ficou com uma estrutura maior do que conseguia sustentar, o que acabou levando ao atual processo de reestruturação.
A pressão sobre o caixa levou a companhia a iniciar, em 2024, um amplo programa de transformação, com foco na revisão da operação, da estrutura financeira e da governança.
Equilíbrio de poder
Os conflitos societários da Pernambucanas voltaram aos holofotes recentemente com o lançamento da série documental Anita, da Globoplay. A produção retrata a trajetória de Anita Harley, herdeira da família Lundgren, fundadora da Pernambucanas, e ex-controladora da companhia. A disputa com outros ramos da família pelo controle da empresa marcou a governança da companhia por décadas.
Segundo Bandeira de Mello, esse ciclo foi encerrado com o acordo de acionistas firmado em 2024, considerado por ele o “divisor de águas” da companhia. O entendimento colocou fim a um conflito societário que se arrastava havia décadas, permitindo que a empresa voltasse a concentrar esforços na operação e na estratégia.
Pelo novo acordo, os acionistas passaram a ser divididos em seis blocos, todos com o mesmo peso nas decisões e direito à indicação de um conselheiro. “Quando a gente vai para a mesa, ninguém fala mais alto”, disse.
A aprovação unânime da indicação de Pimentel e Abrahão pelo conselho, segundo ele, é um exemplo dessa mudança. “Isso, para mim, é uma prova clara de que houve uma mudança de governança na companhia”, afirmou o executivo.
O novo ciclo da Pernambucanas também alcança a Pefisa, braço financeiro da companhia. A empresa está encerrando as parcerias com Autopec e Carmen Steffen e manterá apenas as parcerias financeiras com a Sociedade Esportiva Palmeiras, por meio do Palmeiras Pay, e com a Leroy Merlin.
A ideia, segundo o presidente do conselho, é recolocar a financeira a serviço do varejo, deixando para trás a estratégia de expandi-la de forma independente. “No passado houve muito esse devaneio de ‘vou virar um banco digital’. Nós somos coadjuvantes, não somos o ator principal. O protagonista é o varejo”, afirmou.
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