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Apple parece animada com seu Iphone dobrável, o mercado nem tanto

Quem compra ações da Apple quer saber mesmo é em que pé estão as novidades em IA na empresa de Steve Jobs

10 de setembro de 2026

Aramis Merki II*

John Ternus estreou nesta quarta-feira, 9, no comando da Apple com a missão de mostrar como a companhia pretende se posicionar na corrida pela inteligência artificial (IA), mas sua primeira grande apresentação como CEO não deixou clara essa estratégia. A apresentação concentrou parte importante da novidade de IA na Siri AI, nova versão da assistente virtual ainda em fase beta, sem deixar evidente em que medida a Apple pretende fechar a distância para rivais que já vêm colocando seus assistentes e modelos de IA no centro de seus produtos.

Ao apresentar a estratégia, Ternus afirmou que o iPhone, agora também em versão dobrável, “é o melhor produto do mundo para ser um dispositivo inteligente pessoal”, numa tentativa de combinar a principal franquia da Apple com a corrida pela IA.

A falta de clareza ganha peso porque investidores esperam de Ternus uma nova onda de inovação na Apple, especialmente em IA. À frente da engenharia de hardware desde 2021, o executivo liderou a equipe responsável pelo desenvolvimento do iPhone dobrável, que funciona também como seu primeiro cartão de visitas no cargo. Antes do lançamento, investidores já esperavam uma demonstração mais clara de como a Apple pretende competir na IA, após o evento do ano passado ter sido considerado decepcionante pela pouca ênfase na tecnologia, segundo a S&P Global. A questão, portanto, não era apenas o que a Apple lançaria, mas se Ternus conseguiria apresentar uma tese convincente para a companhia na nova fase da IA.

Nesta tarde, os papéis da Apple começaram a cair durante a fala de Ternus – e ficaram rondando pelo patamar de queda de 1% durante toda a apresentação. Depois, reduziram a perda, com uma queda de 0,3%.

A linha de produtos lançada nesta quarta inclui os modelos iPhone 18 Pro e Pro Max. Os preços de entrada subiram US$ 100 em relação à geração anterior, para US$ 1.199 e US$ 1.299, respectivamente. Os aparelhos chegam às lojas em 18 de setembro, com pré-vendas a partir deste sábado. O principal lançamento, porém, foi o iPhone Duo, primeiro aparelho da Apple com tela dobrável. O dispositivo se abre como um livro e tem uma tela interna – por um preço a partir de US$ 1.999.

Antes do evento, porém, havia dúvidas sobre o potencial do novo aparelho. O analista Craig Moffett, da

MoffettNathanson, avaliava que o dobrável poderia se tornar um produto de nicho. Do outro lado, analistas otimistas apostavam que o aparelho poderia definir uma nova categoria para a Apple e gerar efeitos positivos sobre receita e margens.

Além dos produtos, Ternus buscou reforçar a estratégia da Apple em IA, destacando a preocupação da companhia com privacidade e segurança dos dados. Segundo o executivo, os recursos de IA serão processados no próprio aparelho sempre que possível e, nos casos em que isso não for viável, recorrerão ao sistema de computação privada em nuvem da Apple. A companhia também destacou os recursos de IA embarcados nos novos iPhone 18 Pro e Pro Max, impulsionados pelo novo chip proprietário A20 Pro.

A Apple inicia o ciclo com Ternus em um ano em que ações acumulam alta de 14,94%, mas que recuam desde a divulgação dos últimos resultados, no fim de julho, quando a Apple reportou lucro e receita acima das expectativas. Desde então as ações já caíram quase 7%. O desempenho reforça o desafio do novo CEO: a Apple chega à mudança de comando com resultados operacionais fortes, mas sob pressão para apresentar novos vetores de crescimento e uma estratégia convincente para a era da IA.

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