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Planos de saúde mantém crescimento com SulAmérica e Bradesco Saúde na dianteira

Segundo a ANS, 76 mil beneficiários entraram no sistema em julho, encerrando o mês com 53,2 milhões de segurados

9 de setembro de 2026

Wilian Miron

O mercado brasileiro de planos de saúde segue resiliente e registrou a entrada de 76 mil beneficiários em julho, de acordo com os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), encerrando o mês com 53,2 milhões de vidas. Na avaliação de analistas de mercado dos principais bancos de investimentos do País, apesar da desaceleração em relação a junho, quando o setor adicionou 113 mil novos beneficiários, o resultado ficou aproximadamente 25% acima da média mensal dos últimos 12 meses.

Entre as operadoras, os destaques foram os desempenhos positivos principalmente para SulAmérica e Bradesco Saúde, enquanto a Hapvida voltou a perder beneficiários.

A SulAmérica, braço da Rede D’Or, apresentou o melhor desempenho entre as principais operadoras, com adição líquida de 37 mil beneficiários em julho, segundo avaliações do Bank of America (BofA), XP Investimentos, BTG Pactual e Citi. Para a XP, o resultado representa uma forte reaceleração e equivale a 2,7 vezes a média mensal da companhia nos últimos 12 meses.

A Bradesco Saúde também acelerou, adicionando 35 mil beneficiários, ante 22 mil em junho. Foi a primeira vez em 2026 que a SulAmérica superou a Bradesco Saúde em adições líquidas no mês.

A Amil manteve crescimento, embora em ritmo menor, com 23 mil novas vidas em julho, ante 27 mil em junho. A Porto Saúde adicionou 14 mil beneficiários, enquanto a Seguros Unimed teve saldo positivo de 17 mil. Consideradas em conjunto, SulAmérica, Bradesco Saúde, Amil e Porto Seguro acrescentaram 109 mil beneficiários em julho, acima do crescimento líquido de 76 mil do setor. A diferença foi explicada principalmente pela perda de beneficiários da Hapvida, que compensou parte da expansão das demais operadoras.

A Hapvida perdeu cerca de 58 mil beneficiários no mês, segundo BofA e BTG, sendo 28 mil na operadora Hapvida e 30 mil na NotreDame Intermédica (NDI), de acordo com o BTG. A queda ocorre no contexto do processo de limpeza da carteira anunciado pela companhia, que prevê a retirada de aproximadamente 950 mil beneficiários deficitários.

Para o BofA, portanto, a redução da base deve continuar refletindo a estratégia de ajuste. O BTG aponta que as maiores perdas ocorreram no Rio Grande do Norte, com menos 27 mil vidas, e em São Paulo, com redução de 21 mil. O Citi, por sua vez, registrou perda de 57 mil beneficiários e destacou o aumento do turnover na vertical Hapvida, que alcançou 3,7% em julho, ante média de 3,0% no acumulado do ano.

Os dados estaduais mostram, contudo, que o crescimento das principais operadoras está se espalhando para além dos mercados tradicionais. A XP destaca a aceleração da Bradesco Saúde em Minas Gerais, onde a empresa adicionou 5,3 mil beneficiários, melhor resultado mensal dos últimos 12 meses e acima do desempenho dos pares. Na SulAmérica, o crescimento foi mais disseminado, com destaque para o Rio de Janeiro, que teve adição de 9,6 mil vidas, e Goiás, com 5,4 mil, ambos em ritmo significativamente superior ao observado recentemente.

A Hapvida apresentou movimentos distintos entre os Estados. Além da perda de 27 mil beneficiários no Rio Grande do Norte, a companhia registrou adição de 17 mil vidas no Rio Grande do Sul, mostrando uma forte oscilação regional da carteira. Em São Paulo, a XP observa que o crescimento das principais operadoras também vem ocorrendo fora da capital, indicando uma expansão geográfica mais abrangente no Estado.

Segundo a XP, a cidade de São Paulo respondeu por apenas 28% das adições líquidas da Bradesco Saúde no Estado, 37% das adições da Amil e 34% das da Porto Seguro. Na SulAmérica, a concentração na capital continuou maior, mas também diminuiu de forma relevante: a participação da cidade nas adições da companhia caiu de 80% em junho para 53% em julho. Entre as principais operadoras, a Bradesco Saúde apresentou o perfil mais disperso de crescimento dentro do Estado.

Para o BofA, a combinação dos resultados reforça a percepção de competição elevada entre as operadoras e de pressão sobre preços, à medida que as empresas buscam ampliar suas bases. A leitura do banco, em relatório assinado por Flavio Yoshida, Mirela Oliveira e Eyzo Kuroki, é de que o mercado continua crescendo, embora em ritmo mais lento, com o avanço de julho concentrado principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Os analistas do BTG Pactual Samuel Alves e Maria Resende avaliam que o desempenho de SulAmérica e Bradesco Saúde indica continuidade da expansão em mercados considerados estratégicos para a saúde suplementar. A XP também aponta as duas empresas como os principais destaques recentes em adições líquidas, superando a Amil, que havia apresentado o melhor desempenho durante boa parte de 2026.

No segmento odontológico, o cenário foi ainda mais favorável. O mercado adicionou 268 mil beneficiários em julho, com a Bradesco Saúde liderando entre as companhias destacadas, com 50 mil novas vidas, destaca o Citi.

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