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Resposta ao Tarifaço dos EUA será cuidadosa; governo trabalha com setor privado
27 de julho de 2026
Gabriel Hirabahasi
A decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de anunciar, na noite de quinta-feira, 23, que vai estudar o uso da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos faz parte de uma estratégia para demonstrar aos norte-americanos que está disposto a adotar medidas mais drásticas, mas não necessariamente que esse será o caminho adotado.
Fontes da diplomacia ouvidas pelo Broadcast Político disseram que a estratégia do governo de dizer que vai estudar o uso da Lei da Reciprocidade não significa, necessariamente, que alguma medida será adotada nesse sentido. Afirmaram que o posicionamento foi necessário para que ficasse claro o descontentamento com a medida.
O governo brasileiro fará, a partir de agora, um caminho cuidadoso para identificar formas de aplicação da Lei de Reciprocidade sem que haja riscos para o mercado interno. O recado implícito dado é que, em caso de riscos para a economia brasileira e para o setor produtivo do País, a aplicação de qualquer medida de reciprocidade minuciosamente ponderada.
O governo sabe que há uma resistência forte por parte do setor produtivo quanto à aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos. Em reunião na semana passada com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), por exemplo, se manifestou frontalmente contra a sugestão.
Em nota divulgada na noite de quinta, o governo brasileiro firmou que “tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.
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