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Conhecido como Brics Pay, ferramenta vai integrar moedas digitais de bancos centrais dos países-membros
6 de setembro de 2026
A plataforma de pagamentos digitais internacionais projetada para interligar os sistemas nacionais de pagamentos dos países do Brics tende a avançar no próximo mês, de acordo com fontes que se preparam para a 18ª Cúpula do grupo, nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Délhi, na Índia.
O instrumento, conhecido como Brics Pay, tem como objetivo integrar moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês), prevendo a criação de uma infraestrutura financeira alternativa à rede Swift, que é mundialmente usada hoje e que tem como referência o dólar. Apesar de não ser exatamente o modelo do Pix brasileiro, que é voltado para o varejo, tem sido apelidado por alguns participantes como “Pix do Brics”.
Não se espera uma definição de regras ou uso já no mês que vem, mas a expectativa é que o debate avance durante a cúpula. O Banco Central da Índia (RBI) recomendou ao governo do país, que sedia o evento este ano, que apresentasse uma proposta de conexão entre as CBDCs na agenda da reunião de líderes. Há poucos dias, porém, o presidente do RBI, Sanjay Malhotra, afirmou que as alternativas ainda estavam “na fase das discussões”, conforme registraram agências internacionais.
Em maio, o CEO da desenvolvedora do Brics Pay, Andrey Mikhaylishin, comentou sobre a implementação gradual das tecnologias ao longo desta década de uma arquitetura de pagamentos que conecta os sistemas de diferentes países. Dependendo de como avancem as reuniões preparatórias do encontro, portanto, poderá haver mais ou menos avanço em relação ao tema. No mínimo, o que se espera da reunião em pouco mais de um mês é o desenho de um cronograma.
Apesar de não se tratar da criação de moeda que vá competir com o dólar no sistema financeiro, como chegou a ser ventilado no passado, a medida bate em cheio no governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump já ameaçou impor tarifas de 100% ao bloco caso o Brics apoie ou crie uma divisa alternativa para substituir a moeda americana nas transações comerciais. Segundo ele, perder a hegemonia global do dólar equivale a perder uma guerra mundial.
A intenção do bloco é se tornar menos dependente da moeda americana, desdolarizando suas transações bilaterais dentro do Brics. O grupo foi criado em 2001 com o acrônimo (Bric) dos fundadores emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China. Dez anos depois, a África do Sul foi integrada ao bloco e a agenda foi ampliada para comércio, investimentos, financiamento, governança global e cooperação financeira. Em 2024, uma nova expansão elevou o número de integrantes, que passou a contar com 11 países-membros plenos (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia) e 10 parceiros (Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã).
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