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Governadora do DF tenta garantias com bancos privados para levantar R$ 6,6 bi
21 de julho de 2026
Cícero Cotrim
O fim das tratativas entre Banco de Brasília (BRB) e Quadra Capital para a venda de ativos tem dois efeitos imediatos para o banco público. A redução do patrimônio do BRB será evitada, porque esses ativos – que seriam vendidos com desconto – permanecem na carteira. Mas a instituição financeira deixa de receber uma injeção de liquidez importante no curto prazo.
Originalmente, o desenho do acordo previa a venda de R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master, mas estavam com o banco público do Distrito Federal, para a Quadra. A gestora pagaria entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista – menos do que o valor dos ativos, mas fornecendo liquidez imediata. O montante remanescente seria estruturado em um fundo de investimentos.
Na prática, o resultado do fim das tratativas pode ser positivo no curtíssimo prazo. O BRB ainda tem liquidez para honrar seus compromissos, tanto que não sofreu a aplicação de nenhum tipo de regime de resolução pelo Banco Central. O problema, por ora, está no balanço do banco, e a manutenção dos ativos como patrimônio ajuda a resolver essa frente.
O BRB passa por uma crise por ter comprado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas originadas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Esses créditos falsos foram substituídos por ativos do Master, mas há dúvidas sobre a qualidade dos papéis, e o banco público terá de fazer provisões bilionárias contra possíveis perdas.
O maior desafio continua sendo garantir o financiamento para que o governo do DF possa aportar recursos no BRB e manter o patrimônio de referência do banco dentro das normas do BC, segundo uma fonte. A governadora Celina Leão (PP) tenta conseguir garantias com bancos privados para obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e capitalizar o banco público, mas as tratativas ainda não avançaram.
Em um prazo mais longo, se as negociações continuarem empacadas, o BRB poderia ter de continuar se desfazendo de ativos para garantir a sua liquidez, enquanto o governo do DF busca recursos para capitalizar o banco. Nesse caso, o fim da operação com a Quadra poderia se mostrar um problema, já que a venda dos ativos para a Quadra Capital era a única opção na mesa para turbinar o caixa da instituição.
A governadora do DF já descartou inúmeras vezes neste ano a possibilidade de privatizar o BRB para obter recursos e sanar os problemas de capital e liquidez, uma opção vista nos bastidores como possível solução para as dificuldades do banco. “O banco não será vendido, o banco não será liquidado”, disse Celina em abril deste ano.
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