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Números da maior fabricante de chip do mundo mostra que o boom da IA está longe do pico

Dinheiro despejado em IA está concentrado na construção de infraestrutura para o processamento de dados

28 de agosto de 2026

Aramis Merki II

Se ainda havia dúvida sobre o tamanho do boom de inteligência artificial (IA), o balanço da Nvidia oferece uma resposta difícil de ignorar. No segundo trimestre fiscal, encerrado em 26 de julho, a fabricante de chips faturou US$ 96,2 bilhões, 106% mais do que um ano antes. Sozinha, sua operação de data centers respondeu por US$ 89 bilhões – alta de 117% e quase toda a receita da companhia.

Além de um recorde da companhia, o número é um atestado de que o dinheiro despejado em inteligência artificial está concentrado na construção de infraestrutura para o processamento de dados. A Nvidia estima que o backlog (volume de contratos e pedidos já assumidos que ainda serão executados e convertidos em receita) da indústria de nuvem já supera US$ 2 trilhões. Os cinco maiores hyperscalers, grandes empresas de computação em nuvem, devem desembolsar perto de US$ 800 bilhões em infraestrutura em 2026.

O balanço também serviu para aliviar parte das dúvidas que vinham se acumulando em torno das ações de tecnologia. Para o chefe de mercados da AJ Bell, Dan Coatsworth, os resultados da Nvidia ajudaram a reduzir o receio de que o rali das empresas de tecnologia estivesse perdendo força. A leitura foi particularmente importante: os números da companhia não trouxeram evidências de uma desaceleração da demanda por IA, com efeitos que se espalharam para outras empresas ligadas à construção dessa infraestrutura.

A receita trimestral de US$ 96,2 bilhões da Nvidia superou a receita anual de US$ 88,3 bilhões registrada em 2024 pela TSMC, fabricante responsável pela produção de boa parte dos chips da companhia americana. O dado mostra como a escala atingida pela Nvidia passou a se descolar daquela de uma fabricante convencional de semicondutores.

Para ter parâmetro do que o balanço da Nvidia representa: o lucro líquido da companhia chegou a US$ 59,7 bilhões no trimestre, numa alta de anual 126%, é mais de duas vezes maior que todo o conjunto das companhias abertas brasileiras. De acordo com a Elos Ayta, todas as empresas listadas na B3 lucraram cerca de US$ 25,5 bilhões (R$ 131,3 bilhões )no segundo trimestre.

Não é só o resultado passado que anima investidores. A Nvidia registrou a projeção de receita de US$ 108 bilhões no terceiro trimestre fiscal em um valor cerca de US$ 4 bilhões acima do que os analistas esperavam. Se concretizado, o resultado será o primeiro acima de US$ 100 bilhões em um único trimestre.

Ainda mais surpreendente: a companhia estima crescer cerca de 70% no ano fiscal de 2028, muito acima dos 44% que o mercado projetava antes do balanço. Este é um sinal eloquente de que o atual ciclo de crescimento da IA não chegou ao seu pico. Para o analista da Jefferies Blayne Curtis, os 70% podem ser apenas o piso: em um cenário sem restrições de oferta, a demanda pelos produtos da Nvidia seria suficiente para sustentar um crescimento próximo de 100%.

A Nvidia considera que a oferta continue sendo um obstáculo pelo menos até o fim do ano fiscal de 2028. Enquanto isso, o a disparada dos preços de memória deve levar a margem bruta da Nvidia dos atuais 75% para 71% a 72% no fim deste ano fiscal.

Para o analista sênior da Swissquote, Ipek Ozkardeskaya, foi a indicação sobre 2028 – e não apenas o balanço – que mudou a leitura sobre a Nvidia. A projeção sugere que as preocupações sobre um eventual esgotamento do investimento em IA ainda não encontram respaldo nos números da companhia. Nesta tarde, os papéis da empresa avançam cerca de 8% na Nasdaq.

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