Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Oi quer vender massa falida, manter serviços essenciais e pagar ‘o que der’

Dívida bruta da Oi está em R$ 11 bi e ainda há ativos para vender

26 de agosto de 2026

Circe Bonatelli

Mesmo com a falência confirmada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 25, a Oi ainda terá muito trabalho pela frente, afirmaram fontes dentro da companhia, que pediram para não ser citadas.

A prioridade da empresa daqui para frente será a continuidade na liquidação organizada da massa falida e a busca de valores que ainda tem a receber. Com esse dinheiro, a operadora vai se empenhar em manter os serviços essenciais restantes e pagar as dívidas com credores, começando pelos trabalhadores, conforme designado pelo TJ-RJ.

“A falência não é o fim. É um meio para garantir que serviços essenciais e as obrigações pendentes sejam cumpridos”, afirmou uma fonte.

Neste momento, a dívida bruta da Oi a valor justo está em R$ 11 bilhões, segundo relatório dos administradores judiciais. Entram aí trabalhadores, a União, bancos, investidores internacionais e fornecedores. Em contrapartida, falta clareza sobre o que a Oi vai conseguir monetizar dentro dos ativos que sobraram da massa falida.

“Obviamente, o pagamento integral de todos os credores não vai mais acontecer”, ponderou outra fonte. “Ainda assim, a falência ainda é a forma mais otimizada de liquidação, onde há menos perda para todas as partes.”

Massa falida

A Oi tem cifras potencialmente bilionárias a receber, mas sem data, nem garantias de que os recursos vão entrar no caixa de fato.

O principal ativo na mesa é a sua participação na V.tal, vendida por R$ 4,5 bilhões para fundos controlados pelo BTG Pactual, que teve o processo suspenso em decisão liminar após credores reclamarem que os valores ficaram abaixo do previsto no edital, que era de R$ 12,3 bilhões. O caso aguarda julgamento.

Além disso, a Oi ainda espera vender o seu braço de conectividade e tecnologia para empresas, a Oi Soluções, avaliada em R$ 1,4 bilhão. No entanto, o ativo não recebeu nenhuma proposta de interessados no leilão realizado semanas atrás, o que cria suspeitas de que alguma venda ainda possa acontecer de fato.

Ainda há milhares de imóveis espalhados pelo País, herdados da concessão de telefonia fixa. A última estimativa avaliava esses ativos na ordem de R$ 2,7 bilhões, conforme laudo da consultoria E&Y incluído no plano de recuperação de 2024. Os principais imóveis já foram vendidos, tendo sobrado apenas aqueles de menor interesse e liquidez incerta. Tanto que as vendas pouco ou nada avançaram nos últimos anos.

Por fim, existe a arbitragem da Oi contra a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em que ela pede mais de R$ 50 bilhões em compensação por prejuízos por arcar com a manutenção da telefonia mesmo quando as chamadas de voz caíram em desuso. Mas, fontes que acompanham o caso acham que é remota a chance de a Oi receber o valor pleiteado. Na melhor das hipóteses, poderia ficar com uma fração disso, descontando garantias de pagamento a credores.

Serviços essenciais

A decisão da falência do TJ-RJ buscou preservar os serviços essenciais que restaram. Por ora, os fornecedores da Oi ficam obrigados pela Justiça a manter a prestação dos serviços, ainda que sob pagamentos mínimos, quase simbólicos. Isso deve perdurar até que algum dinheiro da venda dos ativos remanescentes entre no caixa da Oi.

Embora tenha passado por um desmonte – com a venda da internet móvel e fixa, redes de fibra ótica e TV por assinatura -, a Oi ainda tem um peso relevante no universo das telecomunicações do País.

A companhia ainda é a única prestadora de serviços de telefonia fixa em cerca de 6,1 mil localidades, onde atua como carrier of last resort (COLR, na sigla em inglês). Isso significa que a tele não pode recusar pedidos de conexão básica de voz ou utilidade pública nessas áreas. A Oi ainda carrega obrigações de telefonia, como contratos de serviços tridígito (como 190, 193, entre outros). Esse conjunto de obrigações compõem a unidade de telefonia fixa que está na fase final do processo de venda para a Método Telecom, no montante de R$ 60 milhões – um alívio iminente.

Já a Oi Soluções tem cerca de 14 mil contratos com clientes como Caixa Econômica Federal, Correios, Lotéricas, Magazine Luiza, Renner, Assaí e órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de militares. No início deste mês, o corte no serviço de um dos fornecedores de conexão para a Oi sob alegação de falta de pagamento causou um apagão em 70 Lotéricas da Caixa Econômica Federal em 18 Estados; 294 circuitos de dados que atendem as câmeras de segurança do projeto “Vídeo Polícia”, da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia; 36 circuitos da Enel Energia no Ceará, com indisponibilidade total em 34 localidades; e 1 mil links de clientes da Oi.

Procurada, a Oi não fez comentários.

Veja também