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Soja/Imea: preço em MT atinge ao maior nível em 2 anos mesmo com queda no mercado externo

6 de outubro de 2026, às 14:01

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 06/10/2026 – A demanda das indústrias por soja para esmagamento – processo que transforma o grão em óleo e farelo – sustentou a recuperação dos preços em Mato Grosso no terceiro trimestre e levou a saca de 60 quilos a R$ 140,85 em 30 de setembro, maior nível desde o pico de 2024, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A reação ocorre após o indicador do instituto ter ficado abaixo de R$ 100 por saca no início do ano – o que não ocorria desde março de 2024 -, pressionado pela oferta acumulada de duas safras de boa produção. A análise consta do boletim semanal divulgado na segunda-feira (5).

Segundo o Imea, a demanda aquecida no começo de 2026 ainda não era suficiente para absorver toda a disponibilidade de soja no Estado. Ao longo do terceiro trimestre, porém, as compras para processamento ampliaram a absorção do grão pelo mercado interno e contribuíram para a recuperação das cotações. Com preços mais altos e menor disponibilidade da safra 2025/26, produtores intensificaram as vendas tanto do ciclo atual quanto da temporada 2026/27.

Em setembro, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 96,90%, ante 93,06% em agosto, avanço de 3,84 pontos porcentuais. Na safra 2026/27, a parcela negociada passou de 30,23% para 39,12%, alta de 8,89 pontos no período.

A sustentação do mercado mato-grossense também apareceu na comparação semanal. O indicador do Imea para a soja disponível no Estado teve média de R$ 140,49 por saca entre 28 de setembro e 2 de outubro, alta de 0,56% ante a semana anterior. O preço diário, porém, recuou após o pico: foi de R$ 140,60 em 1º de outubro e de R$ 140,15 na sexta-feira (2).

No mesmo intervalo, o contrato de soja para março de 2027 na Bolsa de Chicago (CME Group), referência internacional, caiu 2,17%, para média de US$ 13,14 por bushel (medida equivalente a cerca de 27 quilos), movimento atribuído pelo instituto à realização de lucros e à maior cautela de investidores.

O prêmio de Santos – valor pago sobre a cotação de Chicago pela soja entregue no porto – recuou 2,87%, para US$ 1,43 por bushel, pressionado, segundo o Imea, pela oferta elevada da safra americana. A paridade de exportação em Mato Grosso para março de 2027 caiu 0,61%, para R$ 124,01 por saca, acompanhando o enfraquecimento de Chicago. O dólar (Ptax compra) também recuou 0,97%, para R$ 5,21. O instituto ressalta que a paridade se refere à entrega futura, enquanto o indicador de R$ 140,49 acompanha a soja disponível.

Na outra ponta da cadeia, derivados subiram no Estado. A média semanal do farelo passou de R$ 1.996,41 para R$ 2.028,29 por tonelada, e a do óleo, de R$ 6.357,64 para R$ 6.395,72 por tonelada. A margem bruta de esmagamento calculada pelo Imea – indicador do ganho bruto das indústrias com o processamento – avançou de R$ 441,17 para R$ 456,71 por tonelada.

Para a safra 2026/27, o instituto manteve a estimativa de produção em 48,88 milhões de toneladas, em área de 13,05 milhões de hectares e produtividade de 62,44 sacas por hectare, abaixo das médias acima de 66 sacas por hectare das duas últimas safras. A semeadura chegou a 10,23% da área na semana encerrada em 2 de outubro, ante 3,87% na anterior. Segundo o Imea, a distribuição e a continuidade das chuvas serão determinantes para confirmar o potencial produtivo, com atenção também às temperaturas elevadas previstas para dezembro.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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