Intervenções enfáticas de Donald Trump em eleições na AL são frequentes, mas no Brasil ainda estão apenas em fotos e sorrisos
16 de junho de 2026
Por Darlan de Azevedo
E, até agora, nada ! Se Flávio foi aos Estados Unidos e disse que não buscava apoio do presidente americano, Donald Trump, também não fez questão de demonstrar defesa clara à campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É verdade que ainda faltam alguns meses para as eleições no Brasil e as campanhas nem começaram oficialmente. É verdade também que estava em curso uma negociação dura com o Irã para o fim da guerra que, inclusive, só será assinada na próxima sexta-feira.
Mas o fato é que a visita do presidenciável à Casa Branca não rendeu mais do que sorrisos, fotos e uma postagem discreta do chefe de Estado americano. Só isso!
Embora, no plano pessoal, Trump mantenha um tom cordial com lideranças de campo político distinto, como a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a intervenção do presidente americano em eleições na América Latina tem sido recorrente, sobretudo em países com forte polarização.
Na comparação com a disputa eleitoral na vizinha Colômbia, mais avançada e já no segundo turno, o presidente dos Estados Unidos não economizou elogios ao candidato de direita Abelardo De La Espriella, chegando a chamá-lo pelo apelido “El Tigre”. Algo parecido já havia acontecido nas eleições da Argentina, com Javier Milei, e da Hungria, com Viktor Orbán, quando o presidente americano chegou até a prometer investimentos dos Estados Unidos nesses países. No Japão, tanto a premiê Sanae Takaichi como sua coalizão governista receberam apoio antes de eleições parlamentares importantes no início do ano.
No caso colombiano, Trump foi claro ao dizer que os resultados das eleições na Colômbia são fundamentais para o futuro econômico do país e para as relações com os Estados Unidos. O presidente americano também fez aceno à sua base doméstica ao reiterar que Espriella, caso eleito, irá conter a imigração ilegal, reprimir o crime organizado e o tráfico de drogas, além de restaurar o que ele chamou de “Lei e Ordem”. O segundo turno das eleições na Colômbia acontece em 21 de junho.
Na Argentina, Trump endossou Javier Milei e afirmou que a assistência dos EUA ao país poderia depender de vitórias dele e de seu partido. Nesse contexto, ofereceu um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões para dar fôlego ao governo, em meio à desvalorização do peso. Também vinculou o interesse de investimentos americanos ao resultado da eleição já de 2027. “Se Milei não vencer, os investimentos dos EUA irão embora”.
Estratégia semelhante foi adotada na Hungria, durante a tentativa de reeleição de Viktor Orbán. Trump disse que seu governo estava disposto a usar todo o poderio econômico dos EUA para apoiar a economia húngara caso o primeiro-ministro permanecesse no cargo. O mandatário americano ainda escalou seu vice-presidente JD Vance para se encontrar com o premiê húngaro em Budapeste, movimento que levou o opositor Peter Magyar a falar em interferência estrangeira. Apesar do apoio, Magyar venceu a eleição e encerrou o período de Orbán no poder.
No caso do Brasil, Trump ainda não foi explícito em declarações de apoio à família Bolsonaro ou a um candidato ligado ao grupo. Até agora, limitou-se a dizer que Flávio é um jovem inteligente que ama muito seu país.
O discurso trumpista de combate ao narcotráfico tem apelo entre setores da oposição no Brasil, sobretudo após o governo dos EUA classificar como terroristas as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A formalização da medida, entretanto, foi anunciada pelo seu secretário de Estado, Marco Rubio.
Trump não comentou o tema publicamente, assim como não tratou de uma eventual agenda econômica com o Brasil em caso de vitória de Flávio. Bem antes disso, no melhor estilo morde e assopra, sua gestão impôs duas tarifas de importação ao País do governo Lula, apesar de tecer elogios ao presidente brasileiro.
A indicação é que ele pode vir a influenciar o debate eleitoral, mas ainda de forma distinta e limitada. A conferir.
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