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Retorno versus risco

Decisão prudente de investimento deve se basear no risco que você topa correr, e não no retorno que algum ativo entregou no retrovisor

1 de outubro de 2026, às 16:05

Foto: Envato

Eduardo Laguna

Decisão prudente de investimento deve se basear no risco que você topa correr, e não no retorno que algum ativo entregou no retrovisor. Muita gente lamenta não ter comprado bitcoin nos últimos dez anos, quando a criptomoeda acumulou alta de mais de 13.000%, saindo da casa dos US$ 600 para a faixa de US$ 83 mil a US$ 86 mil. Só que: você conseguiria dormir em paz no “crypto winter” de 2017 a 2018, quando o preço caiu 84%, de quase US$ 20 mil para perto de US$ 3 mil? Ou na pandemia, quando o bitcoin chegou a despencar 37% em um único dia?

Se você não tem estômago para segurar o investimento nessas horas e esperar a tempestade passar, talvez bitcoin simplesmente não seja para você – por mais que, em retrospecto, a cripto teria te enriquecido. Dizer hoje que foi um investimento maravilhoso é fácil; difícil é bancar a volatilidade quando ela aparece.

Em um evento recente da Monte Bravo, Daniel Haddad, diretor comercial da Avenue, puxou um “causo” para lembrar o óbvio que muita gente esquece na empolgação: investimento é um binômio, retorno e risco.

Para mostrar como muita gente adora falar do retorno e esquecer o risco, ele contou uma história engraçada, e real, da própria família. Em 2017, um tio de Haddad vendeu um apartamento e foi procurar o sobrinho que trabalha com investimentos para decidir o que fazer com o dinheiro.

O detalhe: o apartamento representava 97% do patrimônio dele, e o tio chegou decidido a colocar tudo, adivinhe, em bitcoin. O motivo? Ouviu de um colega (também dentista) que a cripto iria “disparar”.

“E aí, o que você acha?”, perguntou o tio. Haddad respondeu como qualquer pessoa de bom senso: “Você está maluco. Quer comprar bitcoin? Compra um pouquinho”.

Dez ou quinze dias depois, o tio voltou com a clássica: “Tenho uma notícia boa e outra ruim”. O sobrinho pediu que ele começasse pela boa. E o tio: “Comprei bitcoin e ele valorizou 30%. Estou 30% mais rico!”.

“E qual é a notícia ruim?”, perguntou o sobrinho. “A ruim é que você não sabe nada de mercado financeiro”, devolveu o tio, já deslumbrado com os 30%. A história arrancou gargalhadas da plateia, pouco antes de entrar Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset, a estrela do fórum da Monte Bravo.

A história do Haddad resume o comportamento de muita gente que ganha dinheiro rápido no mercado: depois que sobe, todo mundo vira gênio. O problema é que, para chegar no “estou 30% mais rico”, você precisa estar pronto para, no meio do caminho, também dizer “caiu 30% e eu não vou surtar”.

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