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Novo normal?

Já pensou em abrir uma latinha de cerveja no escritório durante uma reunião de trabalho? Leia aqui.

27 de maio de 2026

Por Julia Pestana

Era para ser mais um dia na vida de uma repórter da Broadcast. A visita a uma grande empresa, o encontro amistoso com assessores de imprensa e uma entrevista com um C-level. Tudo ordinário, se não fosse pelo executivo da companhia abrindo uma latinha de cerveja antes de começarmos a conversa.

Segui seus gestos: abri uma lata, me servi em um copo de cerveja e brindamos antes de apertar o rec da gravação…

“Vocês beberam cerveja durante uma entrevista?”, perguntou um colega meu, indignado, quando contei o ocorrido em nossa reunião de pauta.

Não demorou muito para todos os jornalistas começarem a falar ao mesmo tempo. Os repórteres das antigas acharam a situação menos surpreendente. Disseram que, em outros tempos, bebida e fonte frequentemente dividiam o mesmo ambiente, mas quase sempre em restaurantes, nunca em uma sala de escritório. Já os outros preferiram as piadas. “O executivo te embebedou para você escrever bem dele”, brincou um colega.

Outro retrucou rapidamente: “Vocês estão sendo ingênuos. Foi ela que embebedou o entrevistado para ele falar mais.”

Só depois das especulações revelei o detalhe que mudava um pouco a história: as latinhas eram de Skol zero álcool e zero açúcar. E o entrevistado era ninguém menos que o CEO da Ambev, Carlos Lisboa.

Sem clima de happy hour, bebericamos a cerveja e seguimos a entrevista. Lisboa contou que, há pouco mais de um ano na cadeira de presidente, focou em criar novos produtos: menos álcool, menos açúcar, menos glúten e até menos carboidrato. Deu a louca na indústria.

No fim, talvez aquela cerveja aberta antes mesmo de apertarmos o botão para gravar não tivesse sido apenas gentileza. Era quase uma demonstração prática da estratégia da companhia. Afinal, quando dei por mim, eu já estava brindando numa entrevista sem achar aquilo tão estranho assim.

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