Assistir à final da Copa chega a custar R$ 435 mil, por enquanto
28 de abril de 2026
Por Eliane Sobral
Sabe aqueles dias de chuva que a única coisa que se move no aplicativo do Uber é o preço? Pois não é que a Fifa resolveu adotar o tal preço dinâmico para os ingressos da Copa do Mundo? Quanto maior a demanda, mais caro fica.
Diziam que haveria ingressos a preços populares, partindo de US$ 60. Se de fato existiu ninguém sabe, ninguém viu.
A realidade é que quem quiser ver os jogos do mundial in loco, vai precisar por a mão no bolso – um bolso bem fundo, de preferência.
No site da Fifa é possível ver ingressos para o jogo de abertura – México e Arábia Saudita – pelo módico valor de R$ 14 mil. Mas comprar exige tempo, disponibilidade e paciência, porque o site empaca no meio do processo.
Uma opção para este “jogão” de bola são os sites credenciados. Em pelo menos em um deles, o ticket sai de R$ 12 mil, para um assento quase fora do estádio, de tão longe, e chega a inacreditáveis R$ 397,4 mil, bem pertinho do campo.
Se para a abertura estamos neste patamar, para a final, a coisa é bem mais salgada: R$ 435 mil, em valores de hoje, no mesmo site credenciado. Até o dia 19 de julho, só Deus sabe a quanto estará.
Mas, além do ticket dinâmico, a Fifa inventou mais uma: sobre cada ingresso vendido por terceiros autorizados, 15% vão para os cofres administrados por Gianni Infantino e sua turma. Apesar dos valores, dependendo do jogo, restam poucos ingressos.
Se há muitos milionários no mundo dispostos a pagar o preço de um apartamento por um jogo de futebol, também há os que não se conformam com tamanho abuso.
Agora em março, duas entidades de peso, a Football Supporters Europe e a Euroconsumers, apresentaram queixa formal contra a Fifa no Parlamento Europeu, listando seis denúncias, entre elas os preços exorbitantes, o tal preço dinâmico e até “táticas de venda sob pressão – alimentando o medo de perder a oportunidade”. Diz a denúncia que a Fifa envia e-mails aos torcedores alertando que a venda é limitada, “criando uma urgência artificial, a Fifa pressiona os torcedores a tomarem decisões precipitadas”, diz a petição.
Até o Congresso dos Estados Unidos, onde o futebol nem o primeiro esporte é, enviou carta ao presidente da Fifa reclamando dos preços “excludentes”. Se Infantino visualizou, não respondeu. Até agora, esses apelos não renderam nada além de indignação e a Fifa continua com os seus preços dinâmicos, astronômicos e impraticáveis – pelo menos para a maior parte da população.