Faculdades privadas brasileiras recalculam rota e redefinem formatos para encontrar equilíbrio ideal entre sala de aula e tecnologia
14 de agosto de 2026
Por Wilian Miron
Impulsionado por ajustes regulatórios, o formato semipresencial ganha força como a principal aposta das universidades privadas para unir flexibilidade, tecnologia e a indispensável convivência universitária. Na prática, o foco das instituições deixa de ser apenas vender vagas e passa a ser como entregar uma experiência de aprendizagem mais rica.
O redesenho do mercado de educação superior vem na esteira dos primeiros dados de captação de alunos no primeiro semestre deste ano, após o novo marco regulatório do ensino a distância (EaD) ter aumentado a exigência de presencialidade e restringiu a oferta de cursos de Medicina, Direito, Enfermagem, Odontologia e Psicologia. O semipresencial cresceu, o EaD perdeu força e o ensino presencial ficou praticamente estável na captação da graduação no período.
O principal diagnóstico entre as instituições é que o futuro do setor passa por uma combinação maior entre ensino presencial e recursos tecnológicos. Nesse modelo, os encontros presenciais ganham espaço, enquanto ferramentas digitais permitem ampliar o acesso ao conteúdo e oferecer maior flexibilidade aos estudantes. Na prática, a questão para as instituições deixa de ser apenas como captar mais alunos e passa a envolver quais formatos oferecer, quanto cobrar e onde concentrar os investimentos para a captação de 2027.
Nesse cenário, o ensino semipresencial vem ganhando participação, enquanto o EaD, que até recentemente era o principal motor de expansão do setor, perde força. O ensino presencial, por sua vez, permanece em patamares próximos aos observados antes da entrada em vigor do novo marco.
Para a consultoria Hoper, os primeiros resultados mostram que o mercado está redefinindo os formatos com maior potencial de captação, o que exige uma resposta rápida dos gestores das instituições de ensino. A avaliação é que os grupos que demorarem a adaptar seu portfólio e sua estratégia comercial às novas condições poderão enfrentar um custo maior para corrigir a rota no balanço de 2027.
Na prática, algumas das principais universidades já respondem a esse movimento com investimentos em tecnologia e readaptação do currículo para adicionar mais presencialidade a cursos que antes eram ofertados somente online. Na Cruzeiro do Sul, por exemplo, os primeiros impactos foram de uma perda inicial na base de alunos, que caiu 5,4% em relação ao segundo trimestre de 2025, para 554 mil estudantes.
A avaliação do diretor-presidente da companhia, Renato Padovese, é que será necessário se diferenciar pela qualidade do conteúdo e dos professores. “Estamos nos preparando para competir nesse novo cenário e continuar entregando uma boa experiência para o aluno”.
Na Cogna, por outro lado, a quantidade de estudantes aumentou 1,9% no trimestre encerrado em junho, chegando a 1,9 milhão de estudantes. Do total, 158,6 mil são da modalidade presencial, 41,8 mil da Kroton Med e 999,7 mil no Ensino a Distância (EaD).
A captação de novos estudantes, no entanto, diminuiu 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Desconsiderando os alunos do Prouni, que não geram receita, porém, houve estabilidade em relação ao observado em igual intervalo de 2025.
Outra empresa que viu um arrefecimento inicial na quantidade de estudantes matriculados é a Ser Educacional. A empresa chegou ao final de junho com 334,0 mil alunos em sua base, queda de 2,8% ante um ano. Ao mesmo tempo, a base de alunos de graduação presencial ficou em 195,1 mil, avanço anual de 4,4%, em movimento que reforça a migração de parte da demanda para formatos com maior presencialidade.
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